SHOW

Música da boa

02:06 · 13.11.2008
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Eliana Printes e Moacyr Luz fazem duas apresentações na cidade, a partir de hoje

Uma amazonense, um carioca. Eliana Printes é da MPB, o que significa estar perto de muitas considerações musicais. Como o samba, motivo até de um Moacyr Luz, do samba. O que não significa que ele não passeie por canções, como no caso de “Coração do Agreste”, gravada por Fafá, e “Medalha de São Jorge”, todas parcerias com Aldir Blanc. Eliana vive desde 94, no Rio. Moacyr vive o Rio. Ambos se apresentam hoje na Mostra BNB da Canção Brasileira Independente. Amanhã, Moacyr toca na fusão dos projetos Farra na Casa Alheia e Policarpo e a Estrela de Madureira, no Amici´s, Praia de Iracema. Já Eliana será a atração do Pro jeto Gonzagueando, que vem disseminando a boa e velha MPB, no Kukukaya.

Atualmente, Eliana Printes está divulgando seu sexto CD, “Mais perto de mim”, lançado em abril, no Teatro Rival. Ela destaca a faixa “Se chovesse você”, parceria dela com Adonay Pereira e Eliaquin Rufino. A faixa tem participação de Chico César, produtor do álbum anterior da cantora. Outra participação é a de Pedro Luís, no samba amaxixado“Quando você passa por mim”, dela e Adonay. Eliana considera Chico uma pessoa “muito querida”, de quem já havia gravado “Reprofissão”. Já Pedro Luís, “é uma pessoa super-querida, fui ao camarim dele após um show e ele falou que gostaria que eu gravasse uma música dele”, vibra.

Este foi um álbum gravado com mais liberdade. “Por isso mesmo, incluí um samba e três remixes feitos na Espanha, algo bem diferente dos outros que j á fiz. Arriscamos mais, expondo mais nossa música. Tem até uma valsa: ‘Velho Realejo’, do Sady Cabral e Custódio Mesquita”. Eliana diz que, desde que começou, faz um repertório à margem da grande mídia, em que procura manter a qualidade e a versatilidade. Mas não se empolga em seguir fazendo samba com mais freqüência. “Muita gente pega o mundo do samba direto, não tenho nada contra. O interessante é fazer o que gosta. Mas é o público que escolhe a gente. Não tenho nenhuma pretensão de virar sambista, não tem como eu mudar radicalmente meu estilo. Na verdade, gosto desta liberdade. Se eu quiser gravar um disco só de fado, gravo. Isso é que eu gosto”.

Toda essa versatilidade pretende ser explorada, por exemplo, em seu próximo projeto, dedicado exclusivamente ao samba dos anos 40 e 50. “Este é o primeiro samba que eu gravo, mas tô preparando o próximo disco, que vai ser voltado para o samba de raiz. Mesmo tendo lançado agora um álbum, a gente já tem que estar pensando. Fui convidada pelo Centro Cultural Carioca para fazer o samba dos anos 40 e 50: Noel, Ataulfo Alves, Geraldo Pereira, está sendo uma pesquisa enorme”, define. “É um projeto à parte na minha carreira. Nunca fiz shows de samba, mas eu sempre incluo alguns no meu roteiro. Pode ser que toque aí, sempre aparece. Mas a prioridade é o lançamento do disco”, ressalta.

Versão acústica

Os shows de hoje e de amanhã serão uma versão acústica, “buscando comunicar-se melhor com a platéia, promovendo uma formação de platéia”, uma formação sempre indispensável aos músicos independentes. Na sua companhia, apenas o parceiro e violonista Adonay Pereira. “O disco tem formato de banda, gravado ao vivo, eu mesma produzi”, considera. Com distribuição da multinacional Warner Music, ele estará à venda nos shows por vinte reais. Pechincha.

O repertório do show também incluirá canções dos discos anteriores, apenas priorizando o novo projeto.“Todos os sucessos que o público conhece em Fortaleza vão estar no show, da ‘Pra Lua Tocar’ a ‘Sabor das Marés’ e ainda a releitura de ‘Só vou gostar de quem gosta de mim’, do repertório do Roberto”. O álbum vem sendo divulgado em algumas capitais. “Por onde passo as pessoas gostam. Em João Pessoa e Recife, pras minha surpresa o público acompanhou algumas músicas”. Eliana Printes ressalta que a proximidade com o público é um charme a mais para o show. “Fica só a base, em contato direto com o público. Curto muito esse tipo de apresentação, que vai ser o mesmo formato para os dois shows”, diz a cantora que já está vindo pela sexta vez a Fortaleza. “A gente tem que estar sempre em contato, revendo os amigos”.

Estrela da Renascença

Os shows do Samba do Trabalhador, conhecidos como Renascença, já viraram uma tradição carioca, nas tardes de segunda-feira. Mais recentemente, Moacyr Luz também faz a fuzarca nas imediações do aeroporto Santos Dumont, nas sextas. Hoje e amanhã, ele mostra sua musicalidade, que bebe direto na fonte do samba, mas não só, no Centro Cultural Banco do Nordeste e no Buoni Amici´s.

“O grupo do Felipe conhecia bastante as minhas músicas, que vamos apresentar juntos no show de sexta. Além disso, vai ter o repertório do Cartola, que está vivendo o seu centenário, e músicas de João Nogueira, as coisas minhas com Aldir, com Paulo César Pinheiro”, diz, referindo-se ao líder do grupo Policarpo e a Estrela de Madureira, o sambista e jornalista Felipe Araújo, responsável por amealhar a boa safra do gênero junto aos freqüentadores do Amici´s. O repertório também inclui suas novas parcerias com Sereno, do grupo Fundo de Quintal, “Vida minha vida”, gravada por Zeca Pagodinho, e “Que batuque é esse”, ambas previstas para “Batucando”, que deverá constar no próximo álbum de Moacyr.

Marcado para ser lançado no Dia de Reis, seis de janeiro, pela gravadora Biscoito Fino, o álbum tem as participações de Martinália, Luiz Melodia, Wilson das Neves, Ivan Lins, Alcione, Tantinho da Mangueira, Ivan Lins, Beth Carvalho, Martinho da Vila, entre três parcerias com Hermínio Bello de Carvalho, uma com Paulo César Pinheiro, três com Sereno, uma com Ivan Lins e outro samba, que deve ser daqueles, com Wilson das Neves. A direção musical é de Moacyr e Paulão 7 Cordas, com arranjos de Cristóvão Bastos, piano em quatro faixas, além de Mauro Diniz (cavaquinho) e de Beto Cazes, Esguleba, Pretinho da Serrinha (percussão. “Vamos fazer umas coisinhas, dando uma testada no repertório, que fiz recentemente com o Arlindo de Cruz, no Rival, ficou muito bacana”.

Recentemente também Moacyr lançou seu segundo livro: “Botequim de bêbado tem dono” (Desiderata), crônicas de bar narradas entre ilustrações do ilustre e reconhecido Chico Caruso. “Aquele outro era meio de comportamento, nesse novo conto histórias vividas em bares relevantes do Rio de Janeiro, como o Bar Brasil, o Beco do Rato, bares de agora e de outros tempos, histórias que ouvi falar”, comenta.

O show de hoje, no CCBNB, é de voz e violão. “Dou uma ajeitada no repertório, vendo o que o público vai pedindo”, diz o autor de músicas como “Mico Preto”, gravada por Luiz Melodia, “Cabô meu pai”, parceria com o saudoso Luiz Carlos da Vila, gravada por Zeca Pagodinho. No mais, músicas do primeiro álbum, com Sivuca, Hélio Delmiro e Raphael Rabello, de 88, com destaque para as parcerias com Aldir Blanc. Ou as de “Vitória da Ilusão”, que traz maravilhas como as citadas “Medalha de São Jorge”, “Mico Preto”, além dos já clássicos “Saudades da Guanabara” e “Flores em Vida”, dedicada a Nelson Sargento.

Mais informações:
Show de Eliana Printes. Hoje, às 18h, no Centro Cultural Banco do Nordeste e amanhã, às 20 no Kukukays (Avenida Pontes Vieira, 55). Show de Moacyr Luz. Hoje às19h30, no Centro Cultural Banco do Nordeste e amanhã, às 22h, no Buono Amici´s (Calçadão do Centro Dragão do Mar), com a discotecagem dos DJ´s Marquinhos e Guga de Castro.


HENRIQUE NUNES
Repórter

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