Unifor

Mostras são passeio pela arte

01:00 · 14.11.2012
O Espaço Cultural da Universidade de Fortaleza investe em exposições que abrem debates sobre o tema

No bojo das comemorações dos 90 anos da Semana de Arte Moderna - movimento que sacudiu as estruturas das artes brasileiras, quando, em fevereiro de 1922, um grupo de jovens artistas brasileiros, ocupou durante três dias o Teatro Municipal de São Paulo para protestar contra as formas acadêmicas de fazer arte - a Universidade de Fortaleza (Unifor) realiza a exposição "Acervo da Fundação Edson Queiroz", reunindo 52 peças raras, dos 28 mais representativos nomes da arte brasileira. Passeiam pela exposição artistas da primeira geração modernista, como Di Cavalcanti, Ismael Nery, Oswald Goeldi, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Candido Portinari e Tarsila do Amaral, entre outros.

O Espaço Cultural Unifor conta hoje com três exposições em cartaz, todas abertas durante o feriado


A Fundação Edson Queiroz vem ao longo de alguns anos formando um acervo artístico de pinturas, desenhos, gravuras e esculturas dos mais renomados autores brasileiros dos séculos XIX, XX e XXI. Dessa maneira, o público poderá entrar em contato com obras de artistas que participaram de um dos movimentos considerados fundamentais para compreensão da arte contemporânea. No sentido de reafirmar o compromisso da Fundação Edson Queiroz com a promoção e difusão da arte, além da formação de público, os visitantes podem conferir, ainda, as mostras "Estudos Guerra e Paz", de Candido Portinari, e "O Egito Sob o Olhar de Napoleão". As exposições, que estão abertas ao público desde o dia 26 de outubro último, podem ser visitadas até o dia 20 de janeiro de 2013, de terça a sexta-feira, incluindo feriados, e aos sábados e domingos.

Esta é a primeira vez que a Fundação realiza exposição de obras do seu acervo, proporcionando um verdadeiro passeio pela arte moderna brasileira, além de abrir uma discussão sobre a importância do período para a compreensão da arte contemporânea. Assim pode ser definida a mostra que reúne 52 peças, entre pinturas, gravuras e esculturas dos mais representativos nomes da arte brasileira do século XX. Os apreciadores, em especial das obras que marcam o modernismo, poderão entrar em contato com um rico material, servindo tanto para a fruição quanto para estudo, uma vez que a exposição não fica restrita apenas aos artistas paulistas; engloba vários estados brasileiros, além de nomes radicados no Brasil que ajudaram a desenhar um dos momentos mais ricos da arte no País.

Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Lasar Segall, considerados ícones do movimento, chamam a atenção dos visitantes, logo na entrada do Espaço Cultural Unifor. A exposição representa uma oportunidade também de o público fazer uma releitura de alguns desses artistas do modernismo brasileiro, no sentido de observar a atualidade das obras, quando a arte contemporânea é posta em xeque. A Semana de 22, como ficou conhecida, era também uma forma de os artistas brasileiros se expressarem diante dos movimentos de vanguarda que sacudiam a Europa, sobretudo entre os fins do século XIX e início do século XIX. Os artistas passam a produzir uma arte em consonância com esses movimentos e, mais, tentam incorporar elementos da cultura nacional. Os visitantes podem perceber o colorido das paisagens de alguns artistas como Tarsila do Amaral, a exuberância da brasilidade de Di Cavalcanti, além das cores sóbrias e o traço expressionista de Lasar Segall e as harmoniosas marinhas de José Pancetti. As esculturas expressionistas de Oswald Goeldi, considerado o expoente da gravura brasileira, chamam a atenção dos visitantes. Outro ponto importante da mostra é a abrangência dos artistas modernos, fugindo da festejada "pauliceia". Nomes como Inimá de Paula, que, juntamente com Antônio Bandeira e Aldemir Martins, participou do movimento modernista em Fortaleza, no fim dos anos 1930.

Exposições

Mais duas exposições completam a iniciativa de promoção da arte e cultura para os que visitarem o Espaço cultural Unifor nos próximos dois meses. A mostra "O Egito Sob o Olhar de Napoleão" reúne 35 peças, fruto da expedição científica e militar feita pelo general Napoleão Bonaparte àquele país. A mostra conta com relíquias sobre a civilização da chamada terra dos faraós, que sempre chamou a atenção de povos mundo afora, além de servir de modelo para outras civilizações.

Em 1798, foi a vez de o general francês Napoleão Bonaparte invadir o Egito, um dos países mais populosos da África. Reconhecido por sua inteligência na arte da guerra, o comandante francês associa à estratégia político-militar, a pesquisa científica e cultural, integrando 167 sábios, como eram conhecidos os cientistas naquela época, aos 55 mil soldados do exército francês. A exposição conta com curadoria de Vagner Carvalheiro Porto, doutor em Arqueologia pela Universidade de São Paulo (USP). Em exibição no Espaço Cultural Unifor Anexo, mesclando peças raras entre livros e gravuras, divididas por temas, como Cartografia, Religião, Arquitetura, Egito moderno e História natural.

Entre as 35 peças estão incluídas réplicas de telas e matrizes de livros, das quais 21 fazem parte da obra "Description de l´Egypte", coleção publicada em Paris entre 1809 e 1822, que descreve a expedição científica e militar liderada pelo general Napoleão Bonaparte ao Egito. A obra é reconhecida como o mais importante estudo erudito europeu do Egito antigo e moderno. Os livros acompanham 14 reproduções fotográficas das matrizes em cobre pertencentes ao Museu do Louvre, em Paris.

Com relação à organização da exposição, o público poderá admirar 14 réplicas das matrizes dos exemplares originais desses livros, juntamente com uma imagem, em uma página escolhida pelo curador, conforme sua relevância. Algumas réplicas de gravuras que integram a exposição têm mais de um metro de altura, abertos em página fixa, dentro de uma vitrine. Integram, ainda, a mostra dois livros publicados pelo artista e o barão Dominique Vivant Denon (1747-1825). As crianças adoram os dispositivos que dão acesso ao manuseio dos livros digitais, promovendo a iteratividade com o público.

Guerra e Paz

A Unifor e o "Projeto Portinari" trazem a Fortaleza, também pela primeira vez, a exposição "Estudos Guerra e Paz", do pintor brasileiro Candido Portinari (1903 - 1962), cujo principal destaque de sua obra foi a temática social. A mostra é composta por cerca de 50 estudos originais, junto a documentos históricos, entre cartas, jornais da época e fotografias sobre as obras mais emblemáticas do pintor.

"Guerra e Paz" por Candido Portinari mostra o processo de criação dos painéis. Os estudos foram realizados a partir de 1952, quando o artista começou a trabalhar nas obras, encomendadas pelo governo brasileiro para presentear a Organização das Nações Unidas. Os painéis são expostos na sede da ONU, em Nova York.

A expressividade do artista pode ser sentida nas obras nas quais retrata horror e redenção, angústia e alívio, sentimentos que se opõem na estética quase geométrica dos traços inconfundíveis de Portinari. No Espaço Cultural Unifor, o público terá a oportunidade de admirar, em detalhes, os movimentos, as expressões faciais e fragmentos de cenas que viriam a compor os célebres painéis.

"Guerra" e "Paz" são obras grandes não apenas pelas imensas proporções, mas pelo caráter emotivo e expressivo dos trabalhos. São painéis que levaram quatro anos para ser produzidos. Portinari deixou 180 estudos preparatórios para as pinturas.

Durante quatro anos, Candido Portinari produziu aqueles que seriam seus dois últimos e maiores trabalhos artísticos. Os murais "Guerra" e "Paz" possuem, aproximadamente, 14 metros de altura por 10 de largura. As obras renderam ao artista o prêmio da Solomon Guggenheim Foundation de Nova York.

Serviço

As exposições "Acervo da Fundação Edson Queiroz", "O Egito Sob o Olhar de Napoleão, na Coleção Itaú" e "Estudos Guerra e Paz", abertas ao público desde o dia 26 de janeiro, podem ser visitadas até o dia 20 de janeiro de 2013.

Hora de visitação: Terças-feiras às sextas-feiras, das 8h às 20h; e sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.

Informações: (85) 477-3319

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