Memórias arquitetônicas - Caderno 3 - Diário do Nordeste

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Memórias arquitetônicas

Iphan comemora 80 anos de atividades ininterruptas com programação cultural em Fortaleza

00:00 · 12.01.2017 / atualizado às 08:43

Há mais de um século, a Praça dos Mártires, também conhecida como Passeio Público, engrandece o Centro de Fortaleza com seu estilo neoclássico permeado por árvores centenárias e vista para o mar. Pela sua importância para a preservação da história da cidade, a praça foi tombada como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 13 de abril de 1965.

Em meio ao verde do Passeio Público, no próximo domingo (15), terá início a "Caminhada Histórica", promovida pelo Iphan em comemoração aos seus 80 anos. O evento será um passeio guiado pelo Centro Histórico de Fortaleza com o apoio de arquitetos, historiadores e arqueólogos da instituição.

"A intenção é justamente fazer com que os participantes tenham a oportunidade de adentrar edifícios históricos que muitas vezes só vemos ao passar pelas ruas", afirma Francisco Veloso, um dos arquitetos da organização do evento.

Paradas

Dentre os destaques, estão a visita guiada ao Museu do Ceará e a Igreja do Rosário, onde haverá a apresentação de uma arqueóloga, que contará a história do campo de sepultamento escondido sob um antigo mosaico no local.

Simultaneamente, ocorrerá a chamada "Bicicletada", também partindo do Passeio Público e também com a proposta de realizar um trajeto pelos patrimônios históricos. Embora sigam roteiros diferentes, ambos os grupos terão momentos de encontro, além do ponto de partida: no Núcleo do Rosário e no Theatro José de Alencar, para a cerimônia de encerramento. O percurso conta com o apoio do movimento "Viva o Centro", projeto de valorização do bairro sob o aspecto cultural, promovendo uma melhor qualificação do uso e preservação de seus espaços públicos e privados.

"Vale lembrar que essa proteção não é deixar o patrimônio totalmente intocável, mas tentar dar novos rumos, novas histórias", destaca Geovana Cartaxo, superintendente do Iphan no Ceará. "Alguns autores têm refletido que essa memória da cidade tem tomado força no mundo inteiro, porque as pessoas estão em momentos de muitas interrogações, de crise. Então há um maior apego ao passado, uma maneira de ganhar forças olhando para seus patrimônios", explica.

Os participantes da caminhada receberão um mapa com todos os 37 bens da região tombados pelo Iphan, Estado e município, a fim de integrar as políticas culturais de todas as esferas federativas.

Apesar de ser lançado para a caminhada, o mapa estará disponível no Iphan e em algumas escolas públicas, onde são realizadas oficinas de educação patrimonial.

Ao final da tarde, a celebração terá continuidade no TJA, onde acontece o lançamento do livro "Aquarelas do Ceará Oitocentista".

Editada pelo Iphan, a publicação possui ilustrações da primeira expedição científica do Império Brasileiro, conhecida como "Expedição das Borboletas", que teve o Ceará como território de exploração por dois anos.

No livro, são retratados flora, fauna, técnicas construtivas, edificações históricas, além de aspectos da astronomia e etnografia do Estado

A música regional e figuras típicas do Ceará como o jangadeiro, o vaqueiro e o vendedor de caju marcam presença nas páginas que falam sobre identidade e história.

Para finalizar o grande dia, haverá ainda a apresentação da Camerata da Unifor, do grupo Folk Canções de Antigas Novidades e um coquetel de encerramento.

Mais informações:

Iphan 80 anos. Dia 15 de janeiro, no Centro. Caminhada e bicicletada: partindo do Passeio Público, às 15h. Cerimônia de encerramento: às 18h, no Theatro José de Alencar (R. Liberato Barroso, 525)

Contato: (85) 3221.2180

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