CENTENÁRIO

Mário, poeta da Lapa

02:18 · 26.11.2011
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Mário Lago escreveu poemas, peças teatrais e roteiros para o cinema, entre eles o do filme Banana da Terra, com Carmen Miranda cantando O que é que a baiana tem
Mário Lago escreveu poemas, peças teatrais e roteiros para o cinema, entre eles o do filme Banana da Terra, com Carmen Miranda cantando O que é que a baiana tem ( )
O século XX foi o palco da arte do poeta, ator e militante político Mário Lago. Autor de músicas como "Atire a primeira pedra" e "Aurora", ele hoje completaria 100 anos

Os jovens e os já nem tão jovens talvez o conheçam por seus papéis em telenovelas da Rede Globo, onde deu vida a personagens marcantes como Alberico Santos, em "Dancing Days" (1978) e o carismático Dr. Molina, de "Barriga de Aluguel" (1990), personagem que retornou, em 2001, na novela "O Clone". A participação marcou o último papel do artista, falecido no dia 30 de maio de 2002, fechando um ciclo de nove décadas de um espírito criativo, militante das artes, que hoje completaria 100 anos de vida.

O artista que rebentou na Rua do Resende, em 26 de novembro de 1911, no Rio de Janeiro, filho único do maestro Antônio Lago e de Francisca Maria Vicência Croccia Lago, teria uma trajetória intensa dentro da produção brasileira do século XX, compondo marchas e sambas na Lapa carioca dos anos 30 e 40, quando também escreveu roteiros de filmes, criando e atuando em radionovelas nos anos 50 e na televisão a partir da década de 1960. Mário Lago é a personalização de um espírito inventivo, que se renova fazendo do presente o seu templo de criação. "Eu não sou saudosista. Não fico lamentando: ´ah, o meu tempo´. Meu tempo é hoje. Não fico na calçada vendo o desfile passar. Eu vou junto", dizia, exercitando seu lado frasista. Ele estreou como autor teatral aos 22 anos e aos 25 já ensaiava também as primeiras canções. Nascido e criado na Lapa, ele abraçou a inclinação musical da família, estreando com a marchinha "Menina, eu sei de uma coisa" e "Nada além", duas parcerias com Custódio Mesquita. A segunda, foi sucesso na voz de Orlando Silva.

Custódio foi o primeiro de muitos parceiros de sucesso, como Ataulfo Alves, com quem compôs "Saudades da Amélia" e "Atire a Primeira Pedra", Roberto Roberti, parceiro de "Aurora", outro sucesso, e também Benedito Lacerda, Elton Medeiros e João Nogueira.

No final da década de 30 estourou no cinema com o roteiro do filme "Banana da Terra", parceria com João de Barro, o Braguinha. O filme inaugurou a indumentária abaianada da cantora Carmen Miranda, com a famosa cena em que interpreta "O que é que a baiana tem", de Dorival Caymmi.

Em 1942, fez sua estreia como ator, inicialmente no teatro, atuando depois em radionovelas. A fama veio, no entanto, a partir de 1966, quando passou a atuar nas telenovelas. O extenso currículo artístico de Mário Lago inclui ainda a publicação de 11 livros, com destaque para "O Povo Escreve a História nas Paredes", com poemas políticos, unindo suas duas paixões: a arte e a militância política. Mário participou ativamente da vida política do País, participando de iniciativas como a "Campanha da Paz", durante a segunda Guerra Mundial, "Anistia", nas décadas de 40 e 70, "Diretas Já" e pela condenação dos assassinos de Chico Mendes.

Homenagem

Marcando seu centenário, o projeto "Mário Lago - O homem do século XX" promove uma série de ações dedicadas à memória do artista, incluindo um site com biografia, álbum de fotos, depoimentos, vídeo-reportagens, além de um livro inédito e inacabado escrito por Mário, que está disponível para download. A publicação inclui nove capítulos com memórias, em que ele narra episódios curiosos de sua trajetória. O projeto inclui ainda o lançamento de dois discos, com sucessos carnavalescos e outro de canções inéditas e poemas musicados.

MAIS INFORMAÇÕES

O livro de memórias "Meus tempos de moleque", publicação inédita e inacabada de Mário Lago, está disponível em http://www.mariolago.com.br

FÁBIO MARQUES
REPÓRTER

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