Mandonismo no Ceará Império - Caderno 3 - Diário do Nordeste

LANÇAMENTO

Mandonismo no Ceará Império

09.06.2010

O diretor da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e escritor, Affonso Taboza, lança hoje, às 19h30, no Náutico Atlético Cearense, "Um Bacamarte Chamado Canário"

Trata-se de ficção, mas o livro tem um pé na realidade, pois conta a trajetória de Vicente Lopes Vidal Negreiros, um fazendeiro de Tamboril que notabilizou-se pela sua luta contra os Mourões, entre os anos 30 e 45 dos século XIX. Na época os Mourões, ainda no Brasil Império, se consideravam os senhores da região e praticavam atrocidades contra outros fazendeiros e desafetos.

A narrativa se desenvolve em um País cheio de atrocidades - contra negros e índios -, principalmente. No entanto, as famílias poderosas ditavam suas próprias leis. Vidal Negreiros nunca simpatizou com o poderio dos Mourões.

O conflito começa quando um dos membros da família Mourão pede em casamento uma das irmãs de Vidal Negreiros. O pai concordou, mas o filho não. Conseguiu convencer a família da inconveniência daquele casamento. Outra noivo foi arranjado para a irmã - filho de um fazendeiro vizinho. Um convite foi mandado para o noivo rejeitado. Daí desenrola-se o conflito.

Affonso Taboza explica que resgatou a história dos Negreiros e Mourões a partir de "O Bacamarte dos Mourões", de Nertan Macedo, publicado em 1966, pelo Instituto Histórico e Geográfico do Ceará. Na obra, encontrou uma menção a uma biografia de Vicente Lopes Vidal de Negreiros, escrito pelo coronel Thomaz Catunda, de Santa Quitéria, também publicada na revista do Instituto do Ceará, em 1918. "Achei interessante a vida do personagem e resolvi recontá-la".

O autor utilizou dois pontos de pesquisa. O primeiro, logicamente, foi o estudo de livros sobre o personagem. Depois, estruturou a história para, em seguida, romanceá-la. Segundo o autor, o livro resgata costumes e a forma de pensar e agir dos proprietários rurais naquele contexto histórico.

A ausência quase total do poder público no sertão fazia com que famílias e pessoas resolvessem suas pendências em lutas ferozes. "Não estava nem estou interessado em fazer nenhum estudo sociológico da época, mas sim retratar como romancista uma história interessante de um personagem cujas façanhas foram lembradas até o início do Século XX, tanto da famílias dos Mourões, quanto dos Negreiros".

Linguagem

Foram seis anos de trabalho para conceber o romance. O narrador é o próprio personagem e a linguagem da época foi respeitada . "Não tinha sentido o personagem narrar a sua história em linguagem atual", diz. Affonso Taboza explica que para chegar a um resultado satisfatório leu muitos romances do século XIX. Cita "O Sertanejo", de José de Alencar, "Dona Guidinha do Posso", de Oliveira Paiva, "Luzia Homem", de Domingos Olimpio e o famoso romance de Rachel de Queiroz "Memorial de Maria Moura"..

"Fui menino nos anos 40 em Itapajé tomando contato com toda uma estrutura linguística hoje desaparecida. Desde o Século XIX existia uma oralidade que perpetuo-se durante muitos anos, principalmente pela ausência dos meios de comunicação".

A contribuição maior do livro, segundo ele , é resgatar a história das mentalidades dos nossos antepassados, hoje ainda pouco estudada pela academia. "Encontro muito mais pistas do Ceará do início dos XIX na literatura do que em livros acadêmicos", diz.

Affonso Taboza é também empresário da construção civil. Além do livro "Um Bacamarte Chamado Canário" é autor "Ventos da Fortuna".

LANÇAMENTO
"Um Bacamarte Chamado Canário"
Affonso Taboza
R$ 35,00
Editora Premius
394 páginas
Lançamento, hoje, às 19h30min, no Náutico Atlético Cearense. Apresentação do professor Ednilo Soárez

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