História

Mandela centenário

Mostra em homenagem ao líder sul-africano estará montada a tempo das celebrações, no Dragão do Mar

Christopher Till, do Museu do Apartheid; João Bosco Monte, do Ibraf; e Abena Busia, embaixadora de Gana no Brasil, em visita técnica ao Dragão ( FOTO: FABIANE DE PAULA )
00:00 · 14.04.2018

Chama-se "Mandela: de Prisioneiro a Presidente" a mostra inédita que ocupará o espaço expositivo do Museu da Cultura Cearense, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC). O período da exposição deve ser de 4 de junho a 28 de julho, ainda que possa sofrer alguma alteração. Contudo, Christopher Till, fundador e diretor do Museu do Apartheid, em Joanesburgo, garante que na data exata do centenário do líder político sul-africano (em 18 de julho), a mostra estará à disposição do público da capital cearense.

A informação foi dada nesta sexta-feira (13), durante a visita de Christopher Till ao Museu da Cultura Cearense, para acertar os detalhes finais da montagem da exposição. Do acervo do Museu do Apartheid, virão as imagens (fotográficas e em vídeo) que permitiram reconstituir a trajetória de Mandela. A exposição é resultado de uma parceria entre o Instituto Dragão do Mar (IDM) e o Instituto Brasil África (Ibraf), detentor dos direitos da mostra para o Brasil.

Christopher Hill foi acompanhado por uma comitiva, que incluía ainda Abena Busia, embaixadora de Gana no Brasil e membro do conselho consultivo do Ibraf para a exposição, e João Bosco Monte, presidente do Ibraf.

Luta

"Mandela: de Prisioneiro a Presidente" foi concebida pelo Museu do Apartheid há uma década. A mostra foi montada, inicialmente, na sede da instituição, na África do Sul. O percurso de vida de Mandela se confunde com a luta contra Apartheid, regime que institucionalizava o racismo no país africano, negando às populações negras direitos civis, sociais e econômicos. A prisão de Mandela está inscrita nas ações do estado de repressão a seus críticos.

A exposição será dividida em seis eixos temáticos - "A pessoa", "O camarada", "O líder", "O prisioneiro", "O negociador" e "O homem de estado". A mostra detalha episódios da vida pessoal e da luta política de Mandela, passando por pontos como sua vida atrás das grades (a exposição conta com uma réplica da cela da Ilha de Robben, o cubículo com apenas 5m² em que o ativista passou 18 anos de sua vida), o Prêmio Nobel da Paz, entregue em 1993 na Suécia, e a vitória na eleição para presidente da África do Sul, em 1994.

Importância

"Mandela é o personagem contemporâneo mais importante que nós podemos trazer a nossa memória. Não apenas pelos 28 anos que ele passou na prisão, mas também pelo que ele fez após a sua saída. Ele uniu negros e brancos, na África do Sul, numa grande agenda para reconstruir o país", avalia João Bosco Monte.

A mostra chega ao Brasil em momento apropriado. "Eu entendo que a vinda da exposição que trata sobre a vida do Nelson Mandela para o Brasil é uma oportunidade para que nós possamos aprender com sua história, com sua memória, mas também com os ensinamentos que ele deixou enquanto estava à frente do governo da África do Sul, e também quando deixou a presidência", explica Monte.

A exposição será montada em duas cidades brasileiras. Além de Fortaleza (escolhida por ser sede do Ibraf), Salvador (BA) também receberá a mostra. "A cidade de Salvador é a cidade mais negra do Brasil, tem uma identidade bastante próxima dos espaços africano", justifica João Bosco Monte.

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