DISCO

Mais um retorno do Argonautas

O quarteto cearense lança seu segundo álbum de estúdio, nove anos depois de seu disco de estreia

00:00 · 28.03.2018 por Felipe Gurgel - Repórter
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Da esquerda para a direita: Rafael Torres, Ednar Pinho, Igor Ribeiro e Bob Pessoa são os músicos da nova formação do Argonautas ( FOTO: GABRIEL LAGE/DIVULGAÇÃO )

Em mais de 20 anos de estrada, o quarteto cearense Argonautas lançou dois álbuns e encerrou a carreira algumas vezes. Em entrevista por telefone, o músico Ayrton "Bob" Pessoa (37), um dos fundadores do grupo, conta que a banda acabou pela primeira vez ainda antes do lançamento de "Interiores", o primeiro disco (2009).

"Quando o Raphael Gadelha (Jardim das Horas) era o baixista, a gente chegou até gravar algumas coisas, mas não lançou. Voltamos com outra galera em 2009: o Ronaldo Lage na bateria e o Germano Lima no baixo", recorda Bob (voz, violão, acordeom), hoje acompanhado, na formação do Argonautas, pelo também fundador e diretor artístico Rafael Torres (voz, violão, flauta), Ednar Pinho (baixo) e Igor Ribeiro (bateria e percussão).

O Argonautas lançou o segundo disco, "Jangada Azul", na última quinta-feira (22), no Teatro do Centro Dragão do Mar (Praia de Iracema). Disponível nas plataformas digitais do Spotify e do Deezer, além do site oficial da banda (argonautasoficial.Com.Br), o álbum reúne 12 faixas e sai nove anos depois do primeiro.

"Jangada Azul" registra canções antigas do Argonautas, como "Plantaria", "Choro de Mandacaru" e "Cantiga do Sertão", além de composições mais recentes do grupo. O Argonautas voltou à cena no início de 2017, quando fez uma apresentação no Teatro Carlos Câmara (Centro), há um ano.

Perguntado sobre a idade do repertório, Bob Pessoa observa que o álbum traz "um acervo bem interessante do grupo. Algumas nem apresentamos ao vivo. 'Ilação' a gente nem tocava em show, e foi uma das primeiras que a gente compôs. 'Plantaria' já tocávamos muito em show", identifica.

Para reunir a formação atual, Bob conta que ele e Rafael Torres pensaram logo em Igor Ribeiro e Ednar Pinho, dois músicos de uma geração posterior, em relação aos fundadores do Argonautas.

"O Igor é um super amigão meu, toco muito com ele. E o Ednar também, toco em outros projetos com ele. Quando o Rafa me procurou pra retornar, foram as duas primeiras figuras que pensei, por afinidade musical e pela amizade", observa.

Parceria

O segundo álbum traz quatro canções feitas em parceria com o "quinto Argonauta", o escritor e compositor Alan Mendonça. "Choro de Mandacaru", "Plantaria", "De volta ao começo" e "Flores de Maio" dão continuidade à produção que já teve registro em "Interiores". No primeiro disco, quase a metade das faixas foi composta com a participação do poeta cearense.

"O Alan é um parceiro fundamental, principalmente no início do grupo. Conheço ele há muitos anos. Nas minhas primeiras composições, as letras eram dele. 'Plantaria' é a primeira parceria musical do Alan, e minha também. Hoje ele é um grande letrista e tá aí em todo canto (risos)", conta Bob, que brinca como o Argonautas ajudou a "projetar" o amigo.

Estúdio

"Jangada Azul" e o primeiro disco foram gravados no mesmo estúdio, o Trilha Sonora (Guararapes). Hugo Lage, técnico de som, também trabalhou em ambos os processos. A diferença da concepção de um álbum para o outro, segundo Bob, é que dessa vez o Argonautas teve mais chance de experimentar e criar na hora da gravação.

"Nesse, a gente recebeu mais contribuições do Igor e do Ednar também, muita coisa foi criada no estúdio. No primeiro disco, a gente levava tudo pronto, programado. No novo tivemos mais abertura de experimentação", destaca Bob Pessoa.

Estética

Desde "Interiores", o Argonautas flerta com uma estética "low profile", resultado do encontro entre o erudito (pela bagagem de Rafael) e a música popular brasileira (por Bob).

"A gente se conheceu no (colégio) Christus, e cada um já tocava. A banda foi surgindo a partir daí, quando a gente se encontrava pra ouvir música, conversar. Havia um espírito de investigar: o Rafa por influência do erudito, eu empolgado com a MPB. Cada um trouxe essa informação pro outro", sintetiza Bob Pessoa.

Com mais de duas décadas de criação, e quase 10 anos depois do lançamento do primeiro álbum, Bob observa como a formação se adapta às mudanças no cenário musical, frente à cultura digital e as redes sociais.

"O grupo, no geral, está se adaptando a essa possibilidade de conexão, essa vivência intensa de rede. Era um ritmo bem diferente, quando começou, e em 2009 também. Estamos se inteirando, ainda, no sentido da divulgação, de fazer mais contato", aponta o músico cearense.

Bob Pessoa coloca, no entanto, que a "nostalgia" hoje se volta mais à estética do grupo, do que à postura dos músicos. "Buscamos referências sobre uma música que era feita mais no passado. Até longe das grandes metrópoles, da sonoridade do campo, do sertão. E quando nos reunimos pra voltar, a gente quis incorporar outras coisas também", situa.

Disco

Jangada Azul
Argonautas

Independente
2018, 12 faixas
R$ 30

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