CINEMA

Mais estranho que o amor

02:02 · 18.01.2011
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Baseado no filme nacional "Elvis & Madona", o romance homônimo do paulista Luiz Biajoni conduz uma inusitada história de amor entre dois personagens gays

Um dos destaques da edição 2010 do For Rainbown, festival cearense dedicado a filmes que temátizam a diversidade sexual, foi o longa-metragem "Elvis & Madona". Rodado no Rio de Janeiro, o filme do carioca Marcelo Laffitte, tinha com protagonistas os atores Igor Cotrim e Simone Spoladore. O que fazia sobressair de cara (para além das qualidades técnicas e artísticas da obra) era o enredo inusitado.

O filme conta a história de amor de Elvis e Madona. Com o detalhe de Elvis ser um motociclista lésbica e durona e Elvis ser um travesti de vida sofrida, que ganha a vida nas ruas. Laffitte escolheu o tom preciso de sua história. O humor alivia o drama, sem fazer do inusitado romance uma caricatura dos afetos homossexuais; tampouco deixa a coisa descambar para o grotesco, a despeito da estranheza da situação ali posta.

O filme tem conquistado o público dos festivais onde foi exibido e arrancado elogios da crítica. As boas surpresas que trazem "Elvis & Madona" não se esgotam aí: no final do ano passado, foi lançado o livro "Elvis & Madona - Uma novela lilás". Ao contrário do que se pode pensar, não se trata da fonte para o longa. Mais uma vez, a história supreende pela inversão do padrão. É o livro que parte da premissa original, criada e trabalhada no cinema.

Luiz Biajoni havia chamado a atenção no meio literário ao lançar "Sexo Anal: uma novela marrom". O livro foi distribuído por meio de download gratuito na internet e, depois, em formato físico, pelo selo Os Viralata.

Foi essa, também, a porta de acesso de Marcelo Laffite a escrita de Biajoni. O cinesta pensou em adaptar a história do escrito. Alguns e-mails depois, a troca de histórias e criatividades havia se acertado, mas com uma configuração distinta.

Direto ao ponto

Uma das marcas da escrita de Biajoni em "Sexo Anal" é a opção de ir direto ao ponto. Até aí, nada muito diferente de outros escritores jovens, ou mesmo de veteranos que preferem uma prosa densa e precisa (caso do brasileiro Rubem Fonseca e do norte-americano Cormac McCarthy). A diferença é que as histórias que Biajoni conta não tem o frenesi dos enredos policiais destes dois autores. Para dificultar ainda mais para o lado do escritor, seus temas e imagens desafiam os pudores de parte dos leitores.

"Sexo Anal", por exemplo, retrata a transformação da vida de um casal logo depois que a mulher desenvolve um interesse especial nesta "modalidade". Em "Elvis & Madona", também não faltam certas situações hardcore, como a descrição da formação de Madona, abusada em sua própria casa, explorada sexualmente nas ruas ainda antes de ser adulta, vítima da absurda violência homofóbica e infeliz no amor.

Contudo, a conquista do leitor se dá, justamente, neste jogo rápido. Luiz Biajoni não deixa seu leitor de mente vazia. A história transcorre rápido e o leitor tem que se igualmente rápido se não quiser perdê-las de vista. Quando mesmo espera, já está entrelaçado pela trama. Neste ponto, fica fácil perceber que a história de amor de Elvis e Madona não é muito distinta de outras - sejam elas protagonizadas por pessoas que tenha o mesmo sexo ou não.

Romance

Elvis & Madona - Uma novela lilás
Luiz Biajoni

Lingua Geral
2010
212 páginas
R$ 34

Baseado no roteiro de Marcelo Laffite

DELLANO RIOS
EDITOR

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