EXPOSIÇÃO

Lundgren, uma história vitoriosa

00:35 · 03.05.2012
Herman Lundgren: conquistas da persistência
Herman Lundgren: conquistas da persistência ( fotos: Rodrigo Carvalho )
Da fome na terra natal à fortuna no Brasil, o sueco Herman Lundgren percorreu longo caminho no País

Telespectadores com mais de 30 anos certamente irão lembrar da simpática propaganda animada das Casas Pernambucanas, na qual uma dona de casa se recusava a abrir a porta para o frio, pois ia comprar "flanelas, lãs e cobertores" nas lojas da grande rede.

Embora presente na memória de muitos consumidores, as Casas Pernambucanas foram apenas um dos empreendimentos na trajetória da família Lundgren, destaque da exposição itinerante "Pioneiros e Empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil", em cartaz no Espaço Cultural Unifor, na Universidade de Fortaleza. A mostra é organizada pelo pesquisador Jacques Marcovitch.

A trajetória da família começa com a chegada de Herman Theodor Lundgren ao Brasil, migrante que fugia da fome e da crise social que, entre as décadas de 1850 e 1860, havia se abatido em seu país natal, a Suécia. Após passar mais de um mês em hospital no Rio de Janeiro, recuperando-se dos ferimentos sofridos no acidente com o navio que o transportava com outros imigrantes suecos, seguiu para Salvador (BA) e, finalmente, Recife (PE).

Os primeiros meses foram duros, frente à língua, aos costumes e ao clima estranho. Após aprender minimamente o português, e fluente em alemão e inglês, passou a trabalhar como intérprete no comércio portuário. Posteriormente, estabeleceu-se em escritório como fornecedor de material para navios, além de atuar eventualmente como exportador.

Tempos depois, ao observar que a pólvora inglesa chegava ao Brasil com preços elevados, e que a produção da única fábrica, localizada no Rio de Janeiro, era insuficiente para o consumo interno, decidiu criar a sua própria, nas cercanias de Recife - tendo sido esse o primeiro grande negócio da família no Brasil. Bem-sucedido, o empreendimento funcionou até os primeiros anos do século XXI - só foi interrompido quando as exportações para os EUA, maior cliente, tornaram-se inviáveis pelas alterações na legislação norte-americana, criadas após os ataques terroristas de 11/09.

Segundo Marcovitch, o êxito dessa primeira experiência industrial levou Lundgren a envolver-se com a indústria de tecidos de algodão. Mais uma vez, o momento certo favoreceu os negócios - no final de 1905, a crise pela qual passavam as fábricas têxteis pernambucanas (devido à política cambial que favorecia a entrada de produtos ingleses) foi resolvida, com o aumento de 15 para 50% dos impostos sobre tecidos importados. Foi quando Herman decidiu comprar a uma fábrica da firma de Tecidos Rodrigues Lima & Cia, no município de Olinda, em uma localidade conhecida como Paulista.

Herdeiros

À época, a pequena fábrica era considerada um empreendimento falido. Herman reverteu esse quadro com a ajuda dos filhos, que começavam a retornar da Inglaterra e Alemanha, após completarem os estudos. Enquanto Arthur assumiu a direção da fábrica de pólvora, Frederico ficou com a Paulista, além da direção geral dos negócios da família.

Com a morte de Herman Lundgren, os dois herdeiros foram confirmados como sucessores. Frederico, em particular, após enfrentar dificuldades com funcionários e de ordem política (em tamanho imbróglio que resultou na posse de Arthur como prefeito de Olinda), transformou a pequena Paulista em verdadeiro império, com a criação de duas vilas operárias - a da própria Paulista e a do município de Mamanguape, no Estado da Paraíba, onde os Lundgren implantaram a unidade fabril de Rio Tinto

Para alcançar diretamente os clientes, a família fundou a rede de lojas Casas Pernambucanas, que até vendia tecidos de outras procedências, mas cujo forte era mesmo os tecidos próprios. A primeira unidade foi um simples barracão junto à fábrica Paulista, em 1908; em 1920, já eram 200.

Mais informações

Exposição "Pioneiros e Empreendedores". Até 13 de maio, no Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz). De terça à sexta, das 8 horas às 18 horas. Entrada e estacionamento gratuitos. Contato: (85) 3477. 3319

ADRIANA MARTINS
REPÓRTER

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