Música

Jay Z "humilde" em novo disco

O rapper Jay Z com Beyoncé: em letras do novo disco, ele pede desculpas à esposa pelos "erros" na relação. Os dois são casados há nove anos e têm três filhos. Cantor também fala de outras "polêmicas", sobre a mãe e a cunhada
00:00 · 17.07.2017 por Silvio Essinger - Agência Estado

O mundo é um lugar bem diferente daquele de 1996, quando Jay Z estreou com o álbum "Reasonable doubt". O rap era um estilo em que as disputas eram resolvidas entre versos e balas de verdade, e as demonstrações de fraqueza, sensibilidade ou arrependimento não cabiam na métrica dos raps.

Hoje, aos 47 anos, o ex-traficante é um artista de sucesso global, casado com a diva Beyoncé e tem com a mulher negócios que rendem aos dois uma soma em dólares na casa do bilhão.

Jay Z poderia estar com o ego (ainda mais) nas alturas, mas encarna o humildão em "4:44", seu 13º álbum, lançado com exclusividade em seu serviço de streaming, o Tidal (e seu parceiro na telefonia, o Sprint), e desde sexta também na Apple Music e iTunes.

O que aconteceu na vida do rapper, recém-entronizado no Songwriters Hall of Fame, para que abrisse a guarda? Por um lado, Kendrick Lamar: a nova liderança do estilo, que sepultou anos de arrogância gangsta e trouxe uma discussão mais consequente e emocional para o que significa ser negro na América. Por outro, "Lemonade", disco de Beyoncé em que a cantora denunciou a infidelidade do marido.

Erros

O curto e austero "4:44" (que tem produção do veterano No I.D.) começa com "Kill Jay Z", no qual, sobre um sample de música do Alan Parsons Project, o rapper se despe do ego, assumindo erros com a mulher, o irmão e a cunhada, a cantora Solange. O maior mea culpa pela traição conjugal, ele deixa porém para a faixa-título, em que chega a admitir que "foi preciso que um filho nascesse" para que ele passasse "a ver pelos olhos de uma mulher".

Em "Smile", Jay Z faz a revelação de que a mãe, Gloria, é homossexual, e inclui, na delicada faixa com sample de "Love's in need of love today", de Stevie Wonder, a fala em que ela própria diz: "Viver nas sombras parece ser a coisa mais segura/ nenhum mal para eles, nenhum mal para mim / mas a vida é curta e é hora de ser livre".

O velho Jay Z, craque das rimas e controvérsias, volta em "The story of O.J.", que fala de racismo e do poder econômico negro, mas ataca os judeus, "que são donos de tudo na América".

Em "Moonlight", ele retoma a polêmica do filme de mesmo nome e a confusão que se deu no Oscar ("La la land" foi anunciado erroneamente como o vencedor de melhor filme). Já em "Family feuds", com Beyoncé, o rapper faz uma piada sem graça com anões, para depois de desculpar, entre risos: "É politicamente incorreto, esquece". Sim, são outros tempos - mesmo para você, Jay Z.

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