Equipamento

IMS paulista abre as portas

Imagem da premiada instalação "The clock", do artista Christian Marclay, que dura um dia inteiro. Trabalho está presente na nova sede do IMS paulista
00:00 · 22.09.2017

Localizada em uma área nobre da Avenida Paulista, entre as ruas da Consolação e Bela Cintra, a nova sede do Instituto Moreira Salles (IMS) em São Paulo abriu suas portas nesta quarta-feira (20) para o público com cinco grandes exposições, incluindo a premiada instalação "The clock", do artista Christian Marclay, que dura um dia inteiro, e fotos da série "Os americanos", de Robert Frank, um dos nomes mais influentes da história da fotografia.

Além das mostras, a obra "Viúva negra", uma das maiores esculturas cinéticas do norte-americano Alexander Calder (1898-1976), que em 1954 havia sido doada pelo artista ao Instituto dos Arquitetos do Brasil, passará a ser exposta em caráter permanente no interior do edifício.

Com sete pisos e 1.200m² de área expositiva, o prédio substitui a galeria de 200m² que abrigou o IMS na capital paulista por mais de 20 anos e desativada em dezembro do ano passado. Contando a sede original, em Poços de Caldas, interior de Minas Gerais, e a unidade do bairro da Gávea, no Rio, o IMS Paulista se torna a maior propriedade do centro cultural no País, fruto de um investimento de R$ 150 milhões.

Arquitetura

Selecionado por meio de um júri internacional para fazer o projeto arquitetônico da nova sede, o escritório Andrade Morettin concebeu uma estrutura vertical - em um terreno antes ocupado por um estacionamento - com altura de nove andares e sete pisos. A construção começou em 2014 e se estendeu até recentemente.

Embora o IMS conte com um acervo de 2 milhões de imagens, reunindo registros fotográficos no País a partir de meados do século XIX, de todo o século XX e do início do século XXI, além de 26 mil discos e 10 mil gravuras, não haverá na unidade paulista "um grama" de reserva técnica, segundo o superintendente executivo, Flávio Pinheiro.

"Esse prédio representa de certa forma a maioridade do IMS", argumenta Pinheiro. "É um ambiente vivo e estimulante totalmente voltado ao público, no qual se destaca uma biblioteca especializada com seis mil livros de fotografia, que deverá ser dobrada em pouco tempo".

Curador de programação e eventos do IMS, o crítico Lorenzo Mammì ressalta, no entanto, que o acervo do instituto é o "ponto de partida" de mostras como "São Paulo, três ensaios visuais", com curadoria de Guilherme Wisnik, que reúne imagens de São Paulo desde 1862.

"Nosso objetivo primeiro é criar a consciência de que a fotografia tem aspecto distintivo como arte, entendida como imagem reproduzida por aparelhos, que agora, na era digital, ganhou dimensão extremamente forte", explica. Além das mostras, o IMS Paulista terá programação intensa de conversas com artistas, debates, oficinas, shows e mostras de cinema.

Pinheiro diz que a maior parte das atrações vai se alternar entre as duas principais unidades, no Rio e em São Paulo. Algumas, por outro lado, não farão itinerância. "Em 2018, temos exposições internacionais programadas. Uma com trabalhos do fotógrafo americano Irving Penn (1917- 2009), que passou por Nova York, Paris e Berlim, vem a São Paulo e não vai ao Rio por problemas de agenda. Outra, do malinês Saydou Keïta, começa pelo Rio e, depois, vem para São Paulo.

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