Cultura russa

Importando clássicos

Da cultura robusta da Rússia, o Brasil consome autores consagrados, sobretudo aqueles de tempos passados

00:00 · 15.06.2018 por Dellano Rios - Editor de Área

A filmografia de Andrei Tarkovsky é canônica na história da Sétima Arte. O cinema russo, que chega de forma irregular ao Brasil, se faz presente por aqui sobretudo a partir de grandes nomes, mundialmente consagrados, como o diretor de "Solaris". Serguei Eisenstein (1898 - 1948) marcou presença na preferência de nossos cinéfilos, tanto com filmes (à exemplo de sua obra-prima "O Encouraçado Potemkin", de 1925), como na teoria ("A forma do filme").

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Recentemente, o cinema russo tem chegado, também, com produções de apelo massivo, caso de "Os Guardiões" (2017), um filme de super-heróis produzido no país. O tom pop/hollywoodiano remete a "Guardiões da Noite" (2004), que alcançou relativo sucesso internacional e ganhou até uma sequência, dois anos depois.

Produções assim destoam daquilo que, no Brasil, se costuma consumir da cultura russa. A música pop do país, por exemplo, passa quase totalmente despercebida. No começo dos anos 2000, a dupla t.A.T.U. Foi uma exceção. Mas durou pouco e não viu aparecerem sucessores.

Contudo, a Rússia parece empenhada em expandir sua presença cultural em outros territórios (estratégia também política, na qual a China tem apostado alto). A animação é uma das ferramentas com que os russos têm trabalhado. No Brasil, emplacaram o sucesso da série infantil "Marsha e o Urso". Também voltado para o público infantil, "Kikoriki" ainda não chegou ao país.

Clássicos

Se as novidades pop ainda têm dificuldade em marcar presença no mercado brasileiro, o mesmo não se pode falar dos clássicos. No restrito seguimento da música erudita, não se pode passar sem nomes como Ígor Stravinski.

Na literatura, o corpus é robusto. No entanto, a grande maioria dos autores publicados são sobretudo os clássicos, do século XIX e começo do século XX. A forte censura durante o regime soviético (1922 - 1991) foi especialmente danosa para as letras. Nomes como Dostoievski, Tolstoi, Gogól e Puchkin já tiveram boa parte de suas obras vertidas para o português e podem ser encontrados, com frequência, em mais de uma edição. Também chegaram ao Brasil, em grande quantidade, os escritos de pensadores políticos ligados à Revolução de 1917 (Lenin, Trotski, Victor Serge) e algo das teorias literárias dos "Formalistas Russos".

Nas últimas décadas, dissidentes do regime passaram a ganhar mais atenção - destes, merece destaque a poeta Marina Tsvetáeva. A literatura russa contemporânea ainda é pouquíssimo traduzida no Brasil. São exceções Vladímir Sorókin ("Dostoiévski-trip") e Liudmila Petruchévskaia ("Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha")

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