FESTIVAL

Homenagem ao pioneiro

O Curso de Cinema e Audiovisual da Unifor será homenageado nesta sexta (10), no 28º Cine Ceará

00:00 · 10.08.2018

Nesta sexta (10), às 19h30, o Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade de Fortaleza (Unifor) será homenageado pela 28ª edição do Cine Ceará. O festival, que segue até este sábado (11), promove a homenagem no Cineteatro São Luiz (Centro) e dá continuidade, em seguida, à realização das mostras competitivas brasileira de curta-metragem e a ibero-americana de longa-metragem.

Primeira graduação da área no Ceará, o curso completou 10 anos de existência este ano. A formação foi viabilizada logo que saiu a aprovação das diretrizes curriculares nacionais dos cursos de cinema do Brasil. Para a professora e cineasta Bete Jaguaribe, atual coordenadora, a realização do curso é mais do que uma conquista para a Unifor, e mudou um paradigma de educação no Estado do Ceará.

Segundo Bete, a graduação foi criada após uma longa luta, no campo de mobilização do setor audiovisual, em prol da publicação das diretrizes curriculares dos cursos de cinema. A medida foi um passo necessário para que as formações saíssem do "guarda-chuva" dos cursos da área de comunicação.

"Nosso curso foi o pioneiro (no Ceará). A formação de cinema no Brasil chegou muita tarde. A partir de 2006, depois de vários fóruns, congressos, reuniões, saiu a publicação das diretrizes curriculares. É uma geração de cursos que bebe diretamente de um processo de discussão sobre essas diretrizes. Hoje o MEC orienta como é a formação de um realizador audiovisual", aponta Jaguaribe.

Geração

A professora recorda que, no Ceará, houve uma geração "heróica" de realizadores audiovisuais que aprenderam a fazer cinema com a prática no set de filmagens (ela cita Rosemberg Cariry, por exemplo), ou ainda que precisavam sair do Estado para buscar formação. É o caso do próprio diretor do Cine Ceará, Wolney Oliveira, formado pela Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños (Cuba). "Nosso curso inicia um processo de construção do audiovisual acadêmico. A universidade tem esse lugar de inquietude, de pensamento, que é muito necessário para qualificar os processos. Considero que o Curso de Cinema da Unifor tem um lugar estratégico para esse campo do audiovisual do Ceará", reflete Bete Jaguaribe. Ela cita, dentre os realizadores que passaram pelo curso e hoje seguem carreira cinematográfica; premiados em festivais e demais eventos do circuito de cinema, gente como Arthur Leite, Bárbara Cariry e Maurício Macêdo.

Ingresso

Indagada sobre as expectativas dos alunos ao ingressarem no Curso de Cinema e Audiovisual da Unifor, a professora destaca que, em primeiro lugar, a área "seduz muito" os estudantes.

Parte dos alunos procura a área como uma vocação, e outra parte faz ou já fez outra graduação (normalmente em uma área mais "clássica" e reconhecida pelo mercado).

"Como é uma área muito nova para o País, alguns pais (de alunos) ainda ficam intranquilos. Alguns estudantes até fazem outras faculdades, além do Cinema. Este ano, teve aluno de Psicologia, médico formado, (então) vira também uma segunda área de conhecimento para quem já está formado", percebe Bete.

No início, há 10 anos, ela recorda que os primeiros alunos tinham uma relação muito forte com o cinema. Hoje, o corpo discente tem outro perfil, mas o que se mantém, segundo a professora, é a "sedução pelo cinema". "E uma vontade enorme: turmas muito mobilizadas pra aprender, pra ter um repertório de cinema. São pessoas que manipulam bem as tecnologias, e têm acesso a muito conteúdo digital", sintetiza Bete.

Na grade curricular do curso, há disciplinas que passam pela orientação sobre como os realizadores podem financiar projetos audiovisuais no Brasil (e acessar o sistema de linhas de financiamento para o setor, ligado ao poder público). Bete Jaguaribe detalha que as disciplinas de "Economia do Audiovisual" e outra sobre gestão da área levantam essa questão.

Ela acrescenta que, em 2018, após a finalização do primeiro semestre letivo, o curso contabiliza, neste período, cerca de 60 trabalhos audiovisuais produzidos. A conta inclui os TCCs (trabalhos de conclusão de curso) e produções iniciais, resultados de disciplinas dos primeiros semestres.

"Com a nova matriz (de diretrizes curriculares), a gente deslocou o curso em relação à comunicação, e criou um diálogo maior com a área das artes. São oito semestres, e a partir do primeiro a gente já começa a trabalhar a produção, com a disciplina 'Cine Experiência 1', que mergulha na temática 'Arte e cidade'", especifica a professora do curso.

Ao todo, o curso traz sete disciplinas que viabilizam a produção e, nos últimos três semestres, destaca Bete, os alunos desenvolvem um vídeo mais maduro. "Esses 10 anos chegam em um momento de muita efervescência no País. Nosso laboratório tem um ambiente de produção efervescente, e a gente tem uma boa estrutura de equipamentos", resume Bete.

Saiba Mais

Sexta (10)

10h - Debate com os realizadores

Filmes das mostras competitivas exibidos na noite anterior

Local: Hotel Oásis Atlântico

14h - Oficina: estrutura e técnica de roteiro para ficção e documentário

Ministrante: Nirton Venâncio

Local: Instituto do Ceará

15h - Masterclass: do clássico ao contemporâneo, a função do melodrama da atualidade

Ministrante: Silvia Oroz

Local: Hotel Oásis Atlântico

15h - Exibição Especial

Panamá Al Brown, quando o punho abre (Carlos Aguilar Navarro, 2017) - Première Brasil

Local: Cinema do Dragão - Sala 2

17h - Exibição Especial

Muitos filhos, um macaco e um castelo (Gustavo Salmerón, 2017)

Local: Cinema do Dragão - Sala 2

19h30 - Homenagem aos 10 anos do Curso de Cinema e Audiovisual da Unifor e Mostra competitiva brasileira de curta-metragem e ibero-americana de longa-metragem

Local: Cineteatro São Luiz

Curtas: "Só Por Hoje" (Sabrina Garcia, 2017); "Capitais" (Kamilla Medeiros e Arthur Gadelha, 2018); e "A escolha de Isaac" (Sergio GAG, 2018)

Longa: "Diamantino" (Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, 2018) - Première Brasil

19h30 - Cinema na Praça

"O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão" (J.B. Tanko, 1977)

Local: Praça do Ferreira

Mais informações:

28° Cine Ceará - Festival Ibero-americano de Cinema. Até sábado (11), no Cineteatro São Luiz (Praça do Ferreira, Centro); Cinema do Dragão (R. Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema) e Hotel Oásis Atlântico (Av. Beira Mar, 2500, Meireles).
Acesso gratuito. Contatos: (85) 3055.3465 cineceara.com  (programação completa)

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