Ensaio

Grande espanto no Museu do Louvre

00:00 · 19.10.2014
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O quadro "Mona Lisa" é uma das mais populares pinturas do artista renascentista Leonardo da Vinci. Também conhecida como Gioconda, é uma pintura em óleo sobre madeira de álamo e esta exposta no Museu do Louvre em Paris

A mulher italiana mais famosa do mundo foi raptada: Mona Lisa. Composta entre 1503 e 1506, por Leonardo da Vinci, é atípica, pois, ao contrário das demais pinturas da época, a modelo foi retratada sentada, o que é uma constante nos quadros de Leonardo da Vinci. Desde o seu furto, todas as forças policiais da França e Navarra estão em pé de guerra para resgatá-la, depois que o pintor copista Louis Béroud, desejando reproduzi-la, ficou surpreso ao ver que o local onde deveria encontrar-se a pintura estava vazio. Mas mostrando pouca preocupação, fez uma piada a respeito da obra de Arte, falando para o vigilante da sala: "Quando as mulheres não estão com os seus amantes, significa que estão com os seus fotógrafos".

Momento inicial

Por volta das 11 horas da manhã Louis Béroud voltou ao Louvre e, ao ver que o local da tela ainda estava vazio, procurou o fotógrafo do Palácio do Louvre, senhor Braun, com a esperança de que ele tivesse levado o quadro até o seu ateliê. Mas o senhor Braun deu uma resposta negativa e, como podemos imaginar, essa resposta negativa provocou o pânico geral e absoluto: estava claro que Gioconda havia sido roubada. O fato fez com que o chefe das forças policiais parisienses, Louis Lépine, chegasse ao local com a velocidade de um raio. Louis Lépine supôs que os vigilantes eram demasiadamente relapsos quando, ao fazer perguntas ao vigilante Poupardin, percebeu que ele estava sonolento durante o expediente. É preciso dizer que toda segunda-feira o museu fica fechado para os visitantes, mas não para os funcionários efetivos, membros sócios da Sociedade dos Amigos do Louvre ou os pintores copistas e demais fotógrafos, que possuem livre acesso a todas as galerias do museu e, por consequência, a todas as obras contidas nele. Como todos são bem conhecidos dos vigilantes e costumeiros dos locais, não levantam suspeitas. Então por onde começar o inquérito? Quem seriam os potenciais suspeitos do crime do sequestro da Mona Lisa?

Especulações

As primeiras hipóteses são emitidas em relação aos profissionais como antiquários, negociantes de arte e leiloeiros pois, como vivem do comércio das obras de Arte, é fácil supor que sequestrar a Gioconda seria algo tentador. Por outro lado, estes devem, por lei ,anotar toda transação ao vender uma obra desse valor e tamanha burocracia faz com que essa hipótese seja rapidamente abandonada. Se o estrito controle das transações torna-a pouco provável naturalmente o alvo passa a ser os colecionadores de arte, pois são pessoas amantes, obcecadas por obras de arte, e dispostas a fazer qualquer coisa para possuir determinadas obras. Porém essa hipótese também foi deixada de lado, já que os colecionadores tem tanto amor pela arte, que não agiriam de forma antiética. Além do mais, o "mundo" dos colecionadores é uma sociedade fechada, na qual todos se conhecem, e se alguém fizesse algo fora do comum, poderia facilmente ser apontado e sofrer exclusão. Então as forças policiais mandadas pelo chefe de polícia Louis Lépine, emitiram a seguinte hipótese: "Esse sequestro só pode ter sido um ato de algum namorado apaixonado, e é claro que ele não pertence ao mundo dos colecionadores, nem dos profissionais das artes. O ladrão apaixonado não teria aguentado ver que Mona Lisa Ghirardini, esposa de Francesco Del Giocondo, ficasse exilada longe de sua terra natal, por causa de uma compra no valor d de 4000 ecus de ouro feita pelo Rei Francesco I.

Singularidades

Quando a obra foi encontrada, um detalhe surpreendeu os membros do Instituto de Identificação Antropométrica da polícia parisiense: o tamanho incrivelmente grande das digitais do polegar que foram localizadas na altura das sobrancelhas do retrato de Mona Lisa. Era preciso averiguar mais de 257 digitais, para compará-las com aquela encontrada na moldura do quadro, mas nenhuma delas era semelhante aquela do polegar de medidas fora do comum encontradas na tela. Essa observação fez com que os peritos do Instituto de Identificação Antropométrica chegassem à conclusão de que suas suspeitas sobre o autor do crime que deveria ter os polegares muito grandes fosse falsa.

A partir deste momento a polícia parisiense começou a suspeitar da equipe que trabalhava para reforçar a segurança do quadro de Leonardo da Vinci e, em particular, do operário encarregado de colocar o quadro sob vidro para protegê-lo das emanações do dióxido de carbono pela respiração do visitantes. Devemos lembrar que a tela tem altura de 77 centímetros e 53 centímetros de largura e que, tais medidas, facilitariam o sequestro. Depois de ter conservado consigo por mais de dois anos o famoso quadro, e durante esse período, enviando cartões postais com a foto do quadro para as forças policiais, ele zombava das autoridades, lhes fazendo crer que Mona Lisa viajava dando notícias. Esse operário responsável pela segurança da Mona Lisa responde pelo nome de Vincenzo Peruggia, de 30 anos.

O epílogo

O senhor Vincenzo Peruggia foi capturado na cidade de Firenza, na Itália, quando estava prestes a negociar a venda do quadro para um Antiquário, o que permitiu a obra de ser devolvida a seu legitimo dono, e de encontrar-se novamente na Ala Denon (nome dado em homenagem do primeiro diretor do Louvre, que tornou-se um museu pela ordem do Imperador Napoleon III no ano 1875, cujo nome inteiro era Dominique Vivant, Barão Denon) em frente a uma outra obra de tirar o fôlego: As bodas de Cana, de Paolo Caliari, mais conhecido como Veronese. Esses fatos, caros leitores, ocorreram do 22 de Agosto de 1911 aos meados de Dezembro de 1913. Mas a pergunta: «quem é esse misterioso personagem possuidor de tal deformidade?» ficou sem resposta. Algum tempo depois, esse enigma foi resolvido por curadores e cientistas do próprio laboratório do museu do Louvre. Em anotações feitas pelo Artista, ele explicou como suavizou a expressão do rosto da Mona Lisa, pois a modelo tinha tirado as sobrancelhas e os cílios, o que era moda na época da criação do quadro, e ele conseguira esse efeito justamente espalhando a tinta com seus polegares. (Revisão e correção : Erika Zaituni)

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