Cinema

Governo Temer é alvo de críticas em Berlim

00:00 · 17.02.2017 por Guilherme Genestreti - Folhapress

A produção "Joaquim", único filme brasileiro na competição do Festival de Berlim, teve a sua sessão para a imprensa no início da tarde da última quinta-feira (16). O longa de Marcelo Gomes é uma ficção histórica sobre o amadurecimento político de Tiradentes (Julio Machado).

"O que me interessava é imaginar como ele mudou o paradigma dele, de soldado da Coroa virou um rebelde, vivendo numa terra de cada um por si", disse o diretor na coletiva de imprensa seguinte à exibição.

O cineasta aproveitou a oportunidade para criticar o governo Temer. "Nos últimos 14 anos houve uma mudança radical de paradigmas", disse Gomes. "Mas, estamos num momento muito absurdo de nossa política, com retrocessos. Temos que lutar contra esse governo ilegítimo", apontou o cineasta.

Tirandentes

A trama de "Joaquim" não incorre na cilada de construir uma hagiografia elogiosa sobre o mártir da Inconfidência Mineira. Embora escancare algum idealismo, retrata o alferes como um dono de escravos decidido a ficar rico com o ouro que encontrar nas Minas Gerais.

Gomes retrata o caldeirão cultural do Brasil colônia: escravos revoltos, índios despojados que mendigam por comida e, principalmente, burocratas portugueses dilapidadores. A todo momento, o que escancara é como os vícios da colônia ainda estão impregnados na sociedade brasileira: funcionários da Coroa que cobram subornos cotidianos, a cor da pele como um requisito para a possibilidade ascensão social etc.

"À medida que eu lia livros sobre o período colonial brasileiro, e como eram as relações sociais das pessoas, mais eu entendia o Brasil de hoje", disse Gomes, de "Cinema, Aspirinas e Urubus" (2005). Com poucos documentos sobre este momento histórico, o cineasta pernambucano se permitiu imaginar o que teria desencadeado o amadurecimento político de Joaquim, o Tiradentes.

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