Espaço Cultural Unifor

Gerações empreendedoras

01:34 · 07.03.2012
Antonio Prado, o barão de Iguape: patriarca e iniciador da fortuna da família; ao lado, documentos e a logomarca de uma das empresas dos Prado
Antonio Prado, o barão de Iguape: patriarca e iniciador da fortuna da família; ao lado, documentos e a logomarca de uma das empresas dos Prado ( Fotos: Rodrigo Carvalho )
( )
( )
( )
Em cartaz na Unifor, exposição sobre grandes pioneiros brasileiros destaca o barão de Iguape

Ao longo de dez anos de pesquisa, o professor de Administração e ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP), Jacques Marcovitch, chegou ao número de 24 personagens para integrar a série de livros "Pioneiros e empreendedores", sobre a vida, as conquistas e o legado de empresários brasileiros cujas atuações revelaram-se fundamentais para o desenvolvimento do País.

O trabalho desdobra-se ainda em uma mostra homônima itinerante, atualmente em cartaz na Universidade de Fortaleza (Unifor), com imagens dos personagens e objetos relativos às suas trajetórias.

Cada um dos três volumes da série traz oito nomes, que contemplam um período histórico desde a primeira metade do século XIX até, em quase todos os casos, os dias atuais. No primeiro livro, porém, a lista se inicia não com um personagem em específico, mas com uma família inteira, os Prado, que, segundo Marcovitch, dominou boa parte da economia, da política e do universo cultural de São Paulo durante mais de um século. O início das quatro gerações sucessivas de Prados é marcado a partir de Antonio Prado, o barão de Iguape (1788-1875), e segue até 1930. Ao longo dessas décadas, os membros da família atuaram em áreas tão distintas quanto agropecuária, comércio, indústria e transporte.

De acordo com Marcovitch, embora impulsionada pelo ciclo do café, a fortuna dos Prado tem origem no comércio anterior de açúcar e de gado e na contratação de impostos, a partir da atuação do barão de Iguape, destaque da exposição e cuja trajetória foi detalhada pela professora Maria Thereza Schorer Petrone, no livro "O Barão de Iguape, um empresário da época da independência" (1976).

Segundo consta no volume, não existem maiores informações sobre o início da carreira de Antonio Prado. Sabe-se que, no começo do século XIX, saiu de São Paulo a conduzir uma tropa de mulas com o objetivo de tentar a sorte em Goiás. Sem sucesso, ruma à Bahia, onde se estabelece na cidade de Caiteté e monta um armarinho.

A partir daí, no entanto, permanece a dúvida sobre como conseguiu juntar recursos suficientes, após somente seis anos, para retornar a São Paulo e construir uma carreira bem-sucedida de contratador de impostos. Os dividendos oriundos da ocupação foram investidos no comércio de açúcar (até por volta de 1820) e de gado. A hipótese sugerida é que, ainda na Bahia, tenha prosperado cobrando dívidas de comerciantes paulistas. Nos dois negócios, sobressai-se a apurada visão empresarial do barão, desde escolhas acertadas para delegar responsabilidades ou para se associar até a capacidade de diagnosticar dificuldades e traçar estratégias para superá-las. No ramo do gado, por exemplo, foi fundamental sua sociedade com João da Silva Machado, futuro barão de Antonina, que conhecia a fundo os aspectos de criação, condução e manejo do gado. Sem precisar lidar com os aspectos técnicos, pôde se dedicar ao que dominava: o comércio propriamente dito.

Criatividade

Vale ressaltar a criatividade de Antonio Prado para resolver até os problemas mais inusitados. Marcovitch ressalta uma ocasião em que a solidez de sua fortuna foi posta em risco por boataria. Ciente da situação, mandou expor uma imensa quantidade de moedas e notas na calçada em frente à sua casa na Praça do Patriarca, na capital paulista. Aos escravos que vigiavam o dinheiro, coube explicar aos curiosos que o barão resolvera expô-lo para "arejar", pois já estaria mofando em seus cofres.

A partir de 1850, tornou-se diretor da primeira agência do Banco do Brasil, aberta em São Paulo - na prática, o cargo significou controle praticamente absoluto dele e da família (que adquiriu boa parte das ações inicialmente subscrita) sobre o banco. Também foi por essa altura que recebeu o título de barão do Iguape, pelo reconhecimento de seu constante apoio à monarquia.

Segundo Marcovitch, é difícil especificar até que ponto a ligação com o regime monárquico contribuiu para o desenvolvimento de sua situação financeira - embora bastante útil em alguns momentos, nada indica um favorecimento maior do que o esperado dentro do contexto da época.

Após retirar-se do mundo dos negócios, coube aos filhos e netos dar continuidade à tradição empreendedora da família. Não só assim o fizeram como levaram a dinastia dos Prado ao ponto mais alto, a partir de diversos negócios interligados, primeiro, pelo café (das enormes e numerosas fazendas até o transporte pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro e a ocupação de cargos políticos); depois, por investimentos na indústria.

Mais informações
Pioneiros & Empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil. Até 13 de maio, no Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz). De terça a sexta, das 8h às 18h; sábados e domingos, de 10h às 18h. Entrada gratuita. Contato: (85) 3477.3319

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.