na Unifor

Gênero em debate

Unifor recebe o 5º Circuito Universitário de Cinema entre os dias 28 e 30 de maio, com a exibição de cinco filmes dirigidos por mulheres

00:00 · 26.05.2018 por Roberta Souza - Repórter

Mulheres na direção, no elenco e na temática dos filmes: esse é o recorte do 5º Circuito Universitário de Cinema, que chega em Fortaleza para exibições e debates entre os dias 28 e 30 de maio, na Unifor, de forma gratuita e aberta ao público. O gênero está no centro da discussão que será promovida entre acadêmicos, pesquisadores e pessoas ligadas a movimentos sociais, culturais e de direitos humanos, a partir dos cinco documentários selecionados.

Diante dessa proposta, é válido contextualizar que a participação feminina na direção de filmes comerciais no Brasil ainda é incipiente, como comprova a pesquisa sobre "Diversidade de Gênero e Raça nos lançamentos brasileiros de 2016", divulgada pela Ancine em janeiro deste ano. De acordo com os dados apresentados pela Associação, de uma população nacional com 51% de mulheres e 54% de negros, foram os homens brancos que dirigiram 75,4% dos longas-metragens nacionais lançados comercialmente naquele ano. E num total de 142 filmes, nenhum foi dirigido por uma mulher negra.

Os números apresentados pela Ancine caracterizam a escolha dos filmes de Paula Sacchetta, Susanna Lira, Carolina de Azevedo e Elena Sassi, Deise Hauenstein e Lívia Perez como uma opção também política da curadoria. Selecionados por chamada pública, todos os documentários apresentam questões pertinentes aos debates atuais, tais como assédio, gordofobia, transfobia e violência contra a mulher.

"O Circuito Universitário de Cinema tem como objetivo principal fomentar, no ambiente acadêmico, o diálogo e a reflexão sobre questões de interesse nacional e histórico abordadas nas obras a serem exibidas", diz a diretora geral, Luciana Boal. "Mais do que uma simples exibição de filmes, a Mostra é um espaço de ampla comunicabilidade, constituindo-se um eficaz instrumento de divulgação e multiplicação de mensagens".

Filmes

"Precisamos Falar de Assédio" (2016), "Positivas" (2010), "De Que Lado Me Olhas" (2014), "Madrepérola" (2015), e "Quem Matou Eloá" (2015) são os selecionados dessa edição. Os três últimos são curtas-metragens e serão exibidos em sequência no segundo dia da mostra.

"Precisamos Falar de Assédio", de Paula Sacchetta, reúne relatos de 140 mulheres de 15 a 84 anos, de zonas nobres ou periferias do Rio de Janeiro e São Paulo, que falaram voluntariamente, em uma van-estúdio, sobre os diversos assédios que sofreram.

"Positivas", de Susanna Lira, lança um olhar para mulheres heterossexuais, "protegidas" pela instituição do casamento e contaminadas por seus maridos com o vírus HIV. O documentário acompanha a vida de Cida, Heli, Rosária, Medianeira, Sílvia, Ana Paula e Michelle, que foram surpreendidas pela notícia da doença.

"De que lado me olhas", de Carolina de Azevedo e Elena Sassi, é locado em Porto Alegre (RS). Nele, sete pessoas oferecem suas perspectivas sobre uma importante realidade desconversada, trazendo à tona casos de lesbofobia e de transfobia.

Em "Madrepérola", de Deise Hauenstein, os padrões estéticos impostos pela sociedade são questionados. A gordofobia é um dos temas que guiam o curta-metragem. E, por fim, "Quem Matou Eloá", de Lívia Perez, traz uma análise crítica sobre a espetacularização da violência e a abordagem da mídia televisiva nos casos de violência contra a mulher, a partir do caso Eloá (2009).

Organização

Realizado pelo Instituto Cultura em Movimento (ICEM), o Circuito conta com voluntários locais que organizam tanto a exibição dos filmes como os debates, convidando pesquisadores daqui para participarem. "São alunos que estão dentro da Universidade e podem levar esse debate pra dentro com seus pares que organizam a mostra; não é um produtor de fora que entra", explica a coordenadora nacional, Tatiana Maciel.

Segundo ela, a ideia do circuito universitário é "trabalhar os debates e os filmes como forma de educação, discutindo temas transversais, que não estão como matéria em alguns cursos". "Para as Universidades, sempre levamos filmes com mais conteúdo pra debate, pra construir um pensamento crítico. São assuntos que interessam de forma geral o cidadão crítico", pontua a coordenadora.

Essa proposta se diferencia de outros circuitos do Instituto Cultura em Movimento, como os realizados em praças, escolas, e ainda os que contemplam oficinas de cinema e vídeo. O Ceará já recebeu essas outras modalidades, incluindo a Mostra de Cinema e Direitos Humanos, que também é de realização do ICEM. Com uma rede de contatos já construída, fica mais fácil dos projetos serem inseridos no Estado.

Programação

Sessões em Fortaleza:

28 de maio, segunda-feira

15h30: Precisamos Falar Sobre Assédio

29 de maio, terça-feira

15h30: Positivas
18h: De que lado me olhas, Madrepérola e Quem Matou Eloá

30 de maio, quarta-feira

15h30: Positivas

Endereço:

Local: Universidade de Fortaleza - Unifor, Auditório A1
Avenida Washington Soares, 1321, Edson Queiroz.
Gratuito e Aberto ao Público

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