MASSAFEIRA - 30 ANOS

Futuro e memória

02:48 · 21.09.2010
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Passado e presente das artes cearenses se encontraram na ManiFesta, que levou cerca de 4 mil pessoas ao Theatro José de Alencar, marcando o lançamento do livro "Massafeira 30 Anos". Uma reunião de várias tribos, das 18h de sábado até a manhã de domingo

Tal qual na canção de Chico Buarque, foi bonita a festa! O lançamento do livro "Massafeira 30 Anos - Som Imagem Movimento Gente", que aconteceu no começo da noite de sábado, se estendendo até 7 horas da manhã do domingo, em vários espaços do Theatro José de Alencar, com o "ManiFesta - Festival das Artes", envolveu diversas vertentes da cultura cearense. O show de lançamento da reedição do CD "Massafeira", com os artistas remanescentes do movimento, inicialmente marcado para 21 horas, começou 50 minutos depois, após a exibição de um documentário com imagens inéditas dos eventos de 1979 e 1980, somadas aos depoimentos de Ednardo, Régis e Rogério, Lúcio Ricardo e Rodger Rogério, entre outros. Inclusive Augusto Pontes, um dos idealizadores da Massafeira original, com direito a fortes aplausos.

Com novos arranjos para as canções originalmente lançadas no álbum duplo de 1980,os compositores e cantores cearenses mostraram suas músicas, interpretando também criações de artistas que não puderam comparecer. Assim, Calé Alencar emprestou sua voz, num arranjo bossanovístico, para "Não haverá mais um dia", de Pachelly Jamacaru, e mostrou "Vento rei", parceria com Zé Maia, convidando Pingo de Fortaleza a dividir o palco. Depois, chamou Lúcio Ricardo que, com sua interpretação com vocais improvisados nos solos dos instrumentos, numa versão jazzística de "Aviso aos navegantes" e em clima de blues-rock para "Em cada tela uma história", foi um dos mais aplaudidos da noite. Irônico e sintomático constatar que grande parte do público desconhecia o veterano intérprete da música cearense. A surpresa só aumentou o impacto da apresentação de Lúcio.

Ednardo também cantou as alheias "Atalaia" (Fco. Casaverde" e "Pelos cantos" (Graco), desculpando-se pelo fato de ler as letras. "São músicas de outros companheiros que cantam no Massafeira e estou interpretando pela primeira vez para lembrar deles", disse. Rodger Rogério interpretou com vocalises "Último raio de sol", uma das mais difíceis e belas canções do disco. Depois cantou com Ednardo "Frio da Serra". Fechando o show, artistas e plateia fizeram um coro coletivo para "Reisado" e "Enquanto engoma a calça".

A festa seguiu nos outros espaços do TJA, mobilizando jovens como a designer Celina Hissa. "Para mim o público foi inesperado. Tem muita gente!", impressionava-se. "Espero que aconteça um próximo". Opinião também do músico Jordão Nogueira: "O acesso grátis facilitou a vinda do pessoal. Espero que depois desse evento, as pessoas tenham uma opinião melhor sobre a arte feita em Fortaleza".

NELSON AUGUSTO
REPÓRTER

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