Artes visuais

Fortaleza no caleidoscópio

Sete artistas retratam em 33 telas suas respectivas visões da cidade no mês de aniversário da Capital

00:00 · 31.03.2015
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Praia de Iracema, Barra do Ceará e a noite de Fortaleza são algumas das inspirações das obras

Eu moro onde você passa as férias - eis uma das frases que muitos fortalezenses gostam de falar orgulhosamente quando se referem à sua cidade natal. Cenários da cidade são registrados em poemas e canções, que por sua vez, aumentam ainda mais o sentimento de morar em um lugar como poucos no mundo. Foi aproveitando essas paisagens que saltam aos olhos que um grupo de artistas plásticos decidiu montar uma exposição para homenagear Fortaleza durante o mês de seu aniversário.

Aberta à visitação entre os dias 2 e 26 de abril, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), a exposição "Fortaleza: Cores da Cidade" reúne 33 telas de sete talentos genuinamente fortalezenses. São eles: Carlos Macedo, Cláudio César, Fernando França, João Marcelo Pereira, Lia Sanders, Mano Alencar e Vando Figueirêdo.

Os trabalhos reunidos na coletiva, composta por cerca de quatro ou cinco telas de cada artista, resgatam paisagens e personagens que acabam se tornando "invisíveis", tamanha é a familiaridade dos fortalezenses.

"A exposição surgiu da necessidade de ampliar a representação da cidade nas artes", diz Lia Sanders. "Assim como o Rio de Janeiro, Fortaleza é uma cidade turística e repleta de paisagens inspiradoras, entretanto, nossa cidade ainda não é tão cantada ou louvada", avalia a artista.

Mesmo com tanta beleza, os problemas típicos de uma cidade latino-americana que cresce sem um planejamento adequado gera, para Lia, uma relação entre os moradores e o ambiente onde moram que a artista classifica como "tóxica".

"Apesar de ser uma cidade belíssima, nós notamos que a autoestima dos fortalezenses tem diminuído nos últimos anos. Os problemas são muitos, como a violência urbana e o trânsito caótico", reconhece. "A exposição visa resgatar esse encanto com a cidade, essa relação saudável", completa.

Com uma orla extensa e convidativa à contemplação, as águas verdes do mar da capital cearense são a inspiração ou ponto de partida para boa parte dos trabalhos dos artistas que compõe a exposição.

Representações

Apesar dos trabalhos apresentarem temas semelhantes, o objetivo dos artistas não era que o tema limitasse a produção criativa. "Não fechamos o que cada um poderia pintar. A proposta sempre foi que cada um representasse a cidade a seu modo, registrando aquilo mais chama a atenção", argumenta Lia.

Foi aproveitando esses percursos particulares de afetos, que foram gravadas nas telas imagens como a Praia de Iracema, o Posto da Barra do Ceará e o edifício Plaza Iracema.

Entre as paisagens retratadas nas telas, o próprio local que abriga a coletiva é objeto de inspiração para as pinturas. "Fortaleza dispõe de uma cena cultural e artística própria, cujo reduto e resistência o Dragão do Mar tão bem sintetiza. Não há lugar melhor que o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura para apresentar à cidade seus mais novos retratos", afirma Lia.

O material que estará na coletiva foi, em parte, produzido especialmente para a ocasião ou fazia parte do acervo dos artistas.

Após o fim da exposição, as telas ainda não têm destino certo, segundo Lia. "Ainda não sabemos o que vamos fazer com o material. Nosso desejo é de que a exposição circule por outras galerias, mas ainda não fechamos nada nesse sentido", afirma.

Mais informações:

"Cores da Cidade" - de 2 a 26 de abril, na Multigaleria do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema). Visitação: terça-feira a sexta-feira, das 9h às 19h (com acesso até as 18h30); sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (com acesso até as 20h30). Gratuito. Contato: (85) 3488.8600

Leonardo Bezerra
Repórter

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