ARTES VISUAIS

Formas e cores de Heloísa

01:37 · 05.11.2011
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Heloísa Juaçaba: veterana das artes visuais é homenageada com mostras na Unifor e no CCBNB
Heloísa Juaçaba: veterana das artes visuais é homenageada com mostras na Unifor e no CCBNB ( Kiko Silva )
O Construtivismo e a cultura tradicional nordestina são duas das principais referências do trabalho da artista visual Heloísa Juaçaba, que tem obras em pintura, escultura e desenho
O Construtivismo e a cultura tradicional nordestina são duas das principais referências do trabalho da artista visual Heloísa Juaçaba, que tem obras em pintura, escultura e desenho ( )
Com vasta produção artística que intercala com linguagens como a pintura, a escultura e o desenho, Heloísa Juaçaba é homenageada com duas exposições especiais na cidade

Com seu movimento preciso e equilíbrio cromático, Heloísa Juaçaba é uma das mulheres que ajudou a escrever a história das artes no Ceará. Há em sua poética uma forte inclinação à geometria das figuras. A artista cria composições que se formulam pela disposição perfeita de cada elemento, cuidadosamente, utilizado por ela, sejam por meio de linhas, espaços e cores.

Por toda essa produção, repleta de nuances e simbolismos, Heloísa Juaçaba recebeu recentemente duas homenagens - na XVI Unifor Plástica e no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB)

Sala especial

Ocupando o Espaço Cultural Unifor, a edição 2011 da Unifor Plática tem a curadoria do professor do curso de Belas Artes da Universidade de Fortaleza, Pablo Manyé. Nela, Juaçaba ganhou uma sala especial, em sua homenagem. O espaço é composto por cerca de 20 obras, de diferentes fases da artista.

Para Manyé, a pintora tem uma arte geométrica com profundas referências à cultura nordestina. "Heloísa é uma figura importante para a cidade. Ela foi uma das primeiras pessoas que conheci quando cheguei em Fortaleza. Homenageá-la é fazer justiça à produção local".

Em texto curatorial o professor escreve: "a arte no Ceará se desenvolve graças a pessoas que ajudaram a criar bases que podem sustentá-la. Necessitamos de heróis, modelos, nos quais nos espelhamos para continuar essa sustentação. Certamente, uma de nossas heroínas é Heloísa Juaçaba".

Manyé acredita que a produção de Heloísa vai além da beleza, analisa o mundo e suas diferentes facetas, reconstruindo seus planos e cromatismos. "Heloísa também trouxe ao discurso artístico elementos do artesanato, tão presente no Nordeste. Ser regional é, sem dúvida, um caminho sólido para chegar ao universal".

Amostras de sua arte também podem ser vistos no CCBNB, até 31 de dezembro. Seus relevos brancos fazem parte do Projeto Acervo Aberto da própria instituição, coordenado por Jaqueline Medeiros.

"Junto com as exposições que acontecem no Centro Cultural, procuramos trazer ao público obras de nosso acervo, que, de alguma forma, se relacionam com elas. Os trabalhos de Heloísa dialogam tanto com as duas últimas exposições de pintura que estavam em cartaz aqui, como com a próxima que será aberta na próxima terça-feira", explica Medeiros.

A coordenadora observa que os relevos brancos de Juaçaba, construídos com punho de rede sobre eucatex, lembram muito as produções elaboradas pelo pintor russo Kazimir Malevitch, um dos precursores da arte abstrata geométrica e fundador da corrente suprematista, que defendia uma arte livre de finalidades práticas e comprometida com a pura visualidade plástica.

"A artista traz para sua pintura uma questão construtivista. Ela tem um desenho muito matemático, e o uso da cor branca nestas obras faz referência a um estado puro e imaterial, próprios de Malevitch", ressalta.

Heloísa Juaçaba justifica como o ponto de partida para seus "relevos brancos", a sua constante paixão pela arte popular brasileira. Certa vez passeando por lojas que existiam na parte baixa do antigo Mercado Central, ela encontrou um punho de rede que lhe chamou bastante atenção pela materialidade.

A artista decidiu criar composições com o "achado". A partir de um jogo de instrumentos cortantes e perfuradores para xilo, num manusear delicado e atento dos punhos, passando de um furo para o outro, de cima para baixo, de um lado para outro, nascia, então, os relevos de Juaçaba. E, com eles, uma de suas fases mais criativas.

Fique Por Dentro
Pinceladas

Cearense da Serra de Guaramiranga, Heloísa Juaçaba iniciou sua carreira artística na década de 1950, na extinta Sociedade Cearense de Artes Plásticas (Scap). Ela expôs pela primeira vez no "Salão dos Novos" e foi premiada nos Salão de Abril, Unifor Plástica e Mulher Maio Mulher. Assumiu diversas funções, como diretora do Departamento da Cultura da Prefeitura de Fortaleza (1969) e da Casa de Cultura Raimundo Cela (1971), o antigo Centro de Artes Visuais de Fortaleza. Além de pintora, Juaçaba é escultora, tapeceira, desenhista e gravadora. Dentre as homenagens que recebeu, a artista foi agraciada com o Prêmio Sereia de Ouro, em 1989.

Exposições

Sala
especial para Heloísa Juaçaba na XVI Unifor Plástica. Acesso e estacionamento gratuitos. Em cartaz até 18 de dezembro, no Espaço Cultural Unifor. Visitas de terça-feira a sexta-feira, das 8 horas às 18 horas, e aos sábados e domingos, das 10 h oras às 18 horas. Agendamento de visitas guiadas para grupos de visitantes pelo telefone (85) 3477.3319

Projeto "Acervo Aberto", com obras de Heloísa Juaçaba. Em cartaz até 31 de dezembro, no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB-Fortaleza). Gratuita. Visitas de terça-feira a sábado, de 10 horas às 20 horas; aos domingos, de 12 horas às 18 horas. Contato: (85) 3464.3108

ANA CECÍLIA SOARES
REPÓRTER

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