Hollywood

Ficção científica pelo olhar dos diretores

James Cameron comanda série de entrevistas com grandes nomes do gênero

00:00 · 16.05.2018 por Mariane Morisawa - Agência Estado
James Cameron entrevista Ridley Scott, diretor de "Alien - o 8º passageiro", um dos sucessos da ficção científica, protagonizado por Sigourney Weaver

James Cameron está com a agenda cheia, envolvido em quatro filmes da saga Avatar, dois prontos para começar a filmar e dois roteirizados, e na produção do primeiro "Alita: Anjo de Combate", dirigido por Robert Rodriguez, e de três longas da franquia "O Exterminador do Futuro". E ainda assim ele conseguiu encaixar a série documental "A História da Ficção Científica por James Cameron", cujos seis episódios começaram a ser exibidos nesta terça (15), às 21h30, no canal por assinatura AMC.

"Eles me ofereceram a ideia. Se não fosse agora, quando seria?", disse o diretor em entrevista ao Estado, em Los Angeles. "Sou fã de ficção científica desde uns 3 ou 4 anos. Faço ficção científica no cinema desde 1984, com 'O Exterminador do Futuro'. Por que não dar algo como retribuição?"

Foi exatamente o que disse para George e Steven - no caso, George Lucas e Steven Spielberg, dois dos entrevistados da série, além de Ridley Scott, Guillermo del Toro, Christopher Nolan, Sigourney Weaver e Keanu Reeves, só para ficar nos mais famosos. "Falei: Caras, ganhamos nossa vida com isso. A ficção científica nos influenciou e nós a influenciamos e influenciamos muita gente. Vamos retribuir, falar do que nos empolga na ficção científica, qual nosso processo, nossas raízes".

Cada episódio gira em torno de um tema: alienígenas, espaço sideral, monstros, futuro sombrio, máquinas inteligentes e viagem no tempo. Os cineastas falam sobre suas inspirações para algumas de suas maiores criações no gênero - Ridley Scott e seu "Alien - O 8.º Passageiro", Steven Spielberg e seu "Contatos Imediatos do 3º Grau" e "E.T. - O Extraterrestre", George Lucas e seu "Star Wars", Paul Verhoeven e seus "Tropas Estelares" e o próprio James Cameron e seu "Avatar".

Pesquisa

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George Lucas também participa da série, como criador da icônica franquia Star Wars 

O diretor afirmou ter aprendido fazendo a série. "Fazer pesquisa e conversar com especialistas aprofundou meu entendimento sobre a ressonância entre a ficção científica e o zeitgeist do momento em que ela foi escrita ou criada. Quando você precisa aplicar um certo rigor de pesquisa e apresentar de forma clara para as pessoas, dá para realmente enxergar como aquelas histórias de invasores alienígenas tomando forma humana eram na verdade sobre os espiões comunistas nos EUA", comparou.

Ou a importância histórica de Uhura, mulher e negra, no elenco de uma série de TV, "Star Trek". "Whoopi Goldberg diz num dos episódios que não havia gente negra no espaço quando ela era criança. Uhura foi a primeira e, por isso, Whoopi quis fazer parte de 'Star Trek: A Nova Geração'", recordou.

Para Cameron, ninguém definiu melhor do que Ray Bradbury, autor de "Fahrenheit 451". "Ele dizia que não se pode matar a medusa sem olhar para ela num reflexo. Quando Perseu levantou seu escudo, a visão distorcida do monstro era com o que conseguia lidar. É assim que lidamos com as coisas das quais não podemos falar facilmente e por isso usamos a ficção científica e a fantasia".

Percepção

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Princesa Leia e ET, dois personagens famosos da ficção científica no cinema hollywoodiano: série discute o gênero com diferentes realizadores

Sendo assim, o momento atual é mais do que fértil para a ficção científica. "Tivemos essa ilusão de progresso. Todos da nossa geração compraram a ideia de que o progresso era unidirecional, que as coisas só iam melhorar. E vemos agora a fragilidade disso. A tolerância pode dar lugar à intolerância. A ciência pode ceder espaço a ataques à ciência. Isso está acontecendo agora numa velocidade que não se via desde que a Igreja colocou Galileu na prisão, quando se trata de ciência do clima neste país. A ficção científica pode nos dar uma perspectiva histórica", avaliou.

Cameron tem esperança, apesar do momento sombrio. "As pessoas estão bravas e perceberam que não podem ser complacentes. E a ficção científica nunca foi complacente. Ela que sempre foi capaz de olhar um futuro ameaçador nos olhos e servir como aviso".

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