Espaço cultural Unifor

Expoente da mídia e da comunicação no Brasil

02:30 · 10.05.2012
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... à carreira de Roberto Marinho em exposição na Unifor
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( Fotos: Rodrigo Carvalho )
Criador da TV Globo e das Organizações Globo, Roberto Marinho marcou a história empresarial do País

Se a pessoa tem um aparelho de TV, certamente já ouviu falar de Roberto Marinho, fundador da maior rede televisiva do País, a Rede Globo - empresa mais conhecida das Organizações Globo, por sua vez o maior conglomerado de empreendimentos do setor de mídia da América Latina (que inclui emissoras de rádio, editora, gravadora, jornais, portal de internet e outros negócios).

Frente à relevância de suas ações e trajetória no universo empresarial brasileiro, Roberto Marinho não poderia estar ausente da exposição "Pioneiros e Empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil", em cartaz no Espaço Cultural Unifor. A exibição foi prorrogada e, agora, segue até 15 de julho. O evento deriva de uma série homônima de livros escrita pelo professor e pesquisador Jacques Marcovitch (USP).

A carreira de Roberto Marinho começa muito antes de o símbolo da "Vênus Platinada" ser desenhado. Ainda adolescente, além de acompanhar com interesse as conversas do pai, Irineu Marinho, com colegas jornalistas no amplo quintal de sua casa, aos domingos, já participava de atividades do periódico fundado pelo patriarca, batizado "A Noite". Quando, por exemplo, Irineu foi preso por apoiar os revoltosos no início do movimento tenentista (com a revolta do Forte de Copacabana, em 1922), Roberto ia visitá-lo quase todos os dias, levando cartas da família e dos jornalistas.

Alguns anos depois, o jovem novamente ajudou o pai, dessa vez na empreitada de criar um novo jornal, "O Globo". Irineu faleceu pouco tempo depois do periódico ganhar as ruas do Rio de Janeiro.

A viúva, Francisca Pisani Barros, quis nomear o filho Roberto para dirigir o empreendimento - decisão recusada pelo rapaz, que se achava pouco experiente.

A confiança para assumir a direção do jornal "O Globo" veio após cinco anos de trabalho no cargo de repórter - mudança acelerada pelo falecimento do então ocupante do cargo, Eurycles de Mattos. A partir daí, Roberto equilibrava-se entre a adoção de uma linha política mais conservadora e episódios ocasionais de embate com a censura do Regime Militar vigente, além de acolher artigos e funcionários de diferentes correntes políticas, inclusive comunista.

Influência

A carreira jornalística de Roberto Marinho sempre foi permeada por suas relações com o poder e com políticos, desde a primeira empresa O Globo até a criação da Rede Globo - cujo episódio mais lembrado nessa seara é a edição de um debate entre os candidatos à presidência da República no ano de 1989, em favor de Fernando Collor de Melo (eleito) e em detrimento de Lula. O ápice da influência de Marinho no poder público deu-se durante a Nova República, claramente traduzida nas palavras do presidente Tancredo Neves, durante a formação de seu governo: "eu brigo com o ministro do Exército, mas não com Roberto Marinho".

Império

Em 1944, aos 40 anos, Roberto Marinho entrou para o mundo radiofônico ao comprar a Rádio Transmissora, que operava no Rio de Janeiro. Mais algumas rádios compradas e, na década de 1970, já era vigente a expressão Sistema Globo de Rádio.

Antes, em 1965, entrava em funcionamento a TV Globo, após imbróglio conhecido como Caso Time-Life (grupo americano com o qual Marinho se associou em busca de investimentos para criar a emissora, embora, à época, fosse proibido por lei).

O início foi difícil, por conta do montante necessário para comprar a parte da Time-Life da TV Globo. Em busca de um executivo que pudesse dar uma guinada no novo negócio, Marinho contratou Walter Clark, então principal executivo da TV Rio, com apenas 30 anos. Engenhoso, Clark tratou de afastar a programação da Globo das elites, apostando em conteúdos populares.

No início dos anos 1990, as Organizações Globo iniciaram processo de diversificação abrangendo mídia impressa, TV a cabo e internet.

Aos 85 anos, Marinho divorciou-se pela segunda vez para casar com Lily de Carvalho, que na época beirava os 70. Com a primeira esposa, Stella Goulart, teve quatro filhos: Roberto Irineu (seu sucessor), Paulo Roberto (falecido aos dezenove anos, em 1970), João Roberto e José Roberto. Morreu em 2003, aos 98 anos.

Mais informações

Pioneiros & Empreendedores.

Até 15 de julho, no Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz). De terça a sexta, das 8h às 18h; sábados e domingos, de 10h às 18h. Entrada e estacionamento gratuitos.

Contato: (85) 3477.3319

ADRIANA MARTINS
REPÓRTER

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