Música

Encontro de clássicos

A Orquestra Camerata Bachiana faz apresentação gratuita, neste domingo (9), no Cineteatro São Luiz

00:00 · 06.09.2018 por Felipe Gurgel - Repórter
Orquestra Camerata Bachiana
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João Carlos Martins conduz a Orquestra Camerata Bachiana em um tributo a Heitor Villa-Lobos. A apresentação é gratuita, no Cineteatro São Luiz

Neste domingo (9), às 18h, a Orquestra Camerata Bachiana (SP) se apresenta no Cineteatro São Luiz (Centro). Conduzida pelo renomado maestro, pianista e regente João Carlos Martins, a formação chega à capital cearense para apresentar o concerto "Na roda com o maestro - uma homenagem a Heitor Villa Lobos". A entrada é franca.

"O concerto foi pensado pelo projeto para um dos maiores músicos e compositores que o Brasil já teve. É uma honra apresentar este concerto", sintetiza João Carlos, em entrevista por email, sobre o apelo da obra de Heitor Villa Lobos (1887 - 1959), autor de composições como "Uirapuru", "Amazonas" e a série "Bachianas brasileiras". A orquestra, na ativa há 14 anos, traz à capital cearense a mesma formação que costuma se apresentar em São Paulo (SP).

"A formação da Camerata é sempre a mesma, com os mesmos instrumentos sempre, mas os músicos podem mudar caso haja uma necessidade maior. Mas a ideia é sempre ter a mesma equipe", situa o maestro João Carlos Martins.

A Orquestra Camerata Bachiana homenageia a obra de Heitor Villa Lobos, além de abarcar, simbolicamente, através de seu nome, a memória de Johann Sebastian Bach (1685-1750). Parte da Fundação Bachiana Filarmônica, apoiada pelo Sesi (SP), a Camerata é formada por viola, cello, oboé, clarinete, fagote, flauta, percussão e dois violinos.

A Bachiana Filarmônica Sesi (SP) é formada por duas iniciativas que se uniram: a orquestra Bachiana Filarmônica (reunindo músicos profissionais) e a Bachiana Jovem (criada em 2006, com o intuito de formar jovens músicos eruditos). Na estrada desde 2004, o grupo inclui, para além de repertórios temáticos como o desta apresentação no São Luiz, sinfonias de nomes a exemplo de Beethoven, Brahms e Tchaikovsky.

Percalços

A história de vida do maestro João Carlos Martins é conhecida por dois episódios difíceis, para além da complexidade que é levar uma carreira de músico erudito no precário cenário artístico brasileiro. Em 1966, aos 26 anos, ele sofreu uma lesão no braço enquanto jogava futebol em Nova York (EUA). O regente ficou afastado dos palcos durante sete anos, por conta das sequelas do acidente.

Quase 30 anos depois, em 1995, João sofreu um assalto na Bulgária, foi baleado e teve o lado direito do corpo paralisado. Encerrou a carreira de pianista precocemente, mas seguiu atuando no cenário musical. "Eu fiquei triste, desanimei, desisti, fui empresário do Eder Jofre, no boxe. Mas como costumo dizer, a música venceu, me trouxe de volta e hoje estou muito feliz como maestro. Meu objetivo é realizar o sonho de Villa-Lobos, de fechar o Brasil em forma de coração através da música clássica", vislumbra João Carlos.

Manutenção

Após o incêndio que destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, no domingo, 2, o maestro pondera que, embora o cenário das políticas culturais seja precário, a realidade da Bachiana é diferente da maioria dos projetos artísticos brasileiros sem apelo comercial. A orquestra é uma das maiores do País e é mantida pela iniciativa privada.

Indagado se estar em São Paulo ainda dá uma "sobrevida" distinta ao projeto da orquestra, João Carlos observa que "o que aconteceu no Rio é muito triste. Senti muito e mostrou como a cultura é encarada atualmente por algumas pessoas". O maestro detalha que "no nosso caso, somos a maior orquestra da iniciativa privada do Brasil, porque o Sesi/SP adotou nossos músicos. Isso foi e tem sido extremamente importante para a realização do nosso trabalho".

Circulação

Financiada por meio do incentivo fiscal da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, e com o apoio da Prefeitura Municipal de Fortaleza, a apresentação é um ponto fora da curva para a realidade do cenário de circulação de projetos artísticos no País. As formações de orquestra costumam ter dificuldades para circular entre as capitais brasileiras, por conta do alto custo logístico e de remuneração da ampla formação de músicos e dos demais profissionais envolvidos.

Questionado se, por conta dessa limitação, o foco da Orquestra Bachiana seria concentrar suas atividades em São Paulo, João Carlos Martins pondera que seu foco é o Brasil. "Por isso, tenho procurado fechar o Brasil em forma de coração através da música clássica, para realizar o sonho de Villa Lobos. Temos viajado bastante", situa o maestro.

São Paulo, inevitavelmente, é a base para muitos dos projetos da Bachiana, mas a ideia é expandir para outros estados. "O (projeto) Orquestrando São Paulo, que visa criar orquestras em cidades de até 100 mil habitantes, tem tudo para se tornar Orquestrando Brasil", projeta João Carlos.

Mais informações:

Concerto da Orquestra Camerata Bachiana (SP), em homenagem a Heitor Villa Lobos. Neste domingo (9), às 18h, no Cineteatro São Luiz (Rua Major Facundo, 500, Centro). Acesso gratuito.
Contato: (85) 3252.4138

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