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De volta ao calor

A banda brasiliense Scalene é uma das atrações principais da próxima edição do festival Garage Sounds

O Scalene teve seu penúltimo álbum, "Éter" (2015), reconhecido pelo Grammy Latino, e ainda passou pelo reality show "Superstar" (TV Globo) ( Foto: Breno Galtier/ Div )
00:00 · 08.03.2018 por Felipe Gurgel - Repórter

A última passagem dos brasilienses do Scalene por Fortaleza, há dois anos, foi "quente". O quarteto fez show no Let's Go Bar (Praia de Iracema) e, segundo conta o guitarrista Tomás Bertoni, a banda tem lembranças até hoje do calor exagerado no local.

"O show teve de ser mudado de local, de última hora. Foi o mais 'quente' da história do Scalene (risos). Houve uns problemas de produção. Mas agora a gente volta pelo festival (Garage Sounds), que tem sempre uma vibe massa. Estar em ambiente de festival sempre inspira. Ver shows antes de tocar, tudo é bem massa", observa Tomás, em entrevista por telefone.

O Scalene retorna a Fortaleza como uma das atrações principais do próximo Garage Sounds. O evento acontecerá neste sábado (10), na Praça Verde do Centro Dragão do Mar (Praia de Iracema). É a segunda edição do festival este ano: a primeira aconteceu no último dia 6 de janeiro, só com bandas locais.

Além dos shows deste sábado na Praça Verde, o Garage Sounds estenderá sua programação para outras quatro capitais - Recife/PE (sexta, 9), Natal/RN (no domingo, 11), Manaus/AM (6 de abril) e Belém/PA (7 de abril).

O Scalene dividirá o palco do Garage Sounds com bandas como o Project 46 (SP), Pense, Lanza, os veteranos do Gangrena Gasosa (RJ), o projeto Merdada (junção das bandas Merda/ES e Facada/CE), e os grupos locais Plastique Noir, The Knockers, dentre outros.

Tomás Bertoni (guitarra, teclado sintetizador), Gustavo Bertoni (voz e guitarra), Lucas Furtado (baixo e sintetizador) e Philipe Nogueira, o "Makako" (bateria); fizeram o show em Fortaleza, em 2016, como uma apresentação prévia à gravação do DVD "Ao vivo em Brasília", lançado no mesmo ano.

Esta passagem faz parte do ciclo de divulgação do álbum "Magnetite" (Selo Slap/Som Livre). O disco saiu no último mês de agosto e contou com a produção de Diego Marx. O produtor assinou o mesmo trabalho no álbum anterior, "Éter" (2015), ao lado de Lampadinha. Este trabalho levou a premiação do Grammy Latino, como o "Melhor álbum de Rock em Língua Portuguesa" (2015/2016).

O Scalene coleciona, em nove anos de carreira, três EPs, quatro álbuns "cheios" e um DVD, ao vivo, lançados até então. Indagado se o grupo mantém um apreço especial pelo trabalho em estúdio, Tomás Bertoni pontua que eles sempre tiveram o desejo de firmar uma discografia.

"A gente gosta não do processo de gravação, necessariamente, mas do resultado final. E somos uma banda bem nova ainda, tanto de idade, quanto de tempo (de carreira). A nossa média de idade é de uns 25. Quando lançamos o primeiro álbum, o Gustavo só tinha 19 anos", situa o guitarrista.

Tomás destaca que todos esses registros renderam, para o Scalene, "um processo bem legal" de aprendizado e evolução como banda.

"Não é algo barato, e o retorno direto da música, de venda de CDs, hoje é bem incerto. Mas cada CD tem uma história bem diferente e é feito em realidades diferentes da banda", aponta o guitarrista, sinalizando que 2014 foi o único ano em que o Scalene não lançou nada "contundente".

Dois mundos

Além de ganhar o Grammy Latino, o Scalene teve passagem pela TV Globo, participando do reality show "Superstar", há três anos. A banda foi a vice-campeã da competição. Questionado se os "mundos" (do mainstream e do underground, para as bandas) já não têm fronteiras muito bem definidas, Tomás Bertoni percebe que grupos como o Scalene, Francisco El Hombre (SP) e o Far From Alaska (RN) conseguem se equilibrar entre os dois cenários.

"Há nove anos, a gente era total underground, e quando conseguiu transitar pelo mainstream, a banda teve mais visibilidade. Mas vimos que, para o rock, não tem exatamente um grande espaço hoje (no Brasil). É interessante conseguir a popularidade do mainstream. Ao mesmo tempo, estar na Slap (selo da gravadora Som Livre) não nos traz uma exigência comum a outras bandas maiores", conta o guitarrista.

Brasília

Depois dessa trajetória, os quatro integrantes se mantêm entre Brasília (DF), de onde surgiram, e São Paulo (SP). Tomás Bertoni conta que ele e o irmão (Gustavo) se concentram mais na capital paulista, diferentes do baixista e do baterista. O voo para tocar em Fortaleza sairá, inclusive, do aeroporto de Guarulhos (SP).

"Estar em São Paulo ajuda a ficar próximo de toda a cena (musical), e tem mais opções de voo para todo o Sul e Sudeste. A gente não precisa mais ensaiar toda semana para fazer show, então facilita o nosso trabalho. Já conciliamos isso, há alguns anos, de um modo bem tranquilo", revela Tomás Bertoni.

Mais informações:

Festival Garage Sounds. Neste sábado (10), a partir das 14h, na Praça Verde do Centro Dragão do Mar (Rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema). Ingressos: R$ 50 (meia), R$ 100 (inteira) e R$ 50 + doação de um livro usado (meia social). Contato: (85) 99868.9843 - garagesounds.Com.Br

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