dia mundial do rock

Da rebeldia à efeméride

O Dia Mundial do Rock é celebrado amanhã (13), mas as programações pela cidade começaram desde quarta (11)

00:00 · 12.07.2018
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De cima para baixo: a Orquestra de Câmara Heitor Villa Lobos, a banda Rubber Soul e o grupo O Verbo participam das comemorações pelo Dia Mundial do Rock

Há 33 anos, o rock ganhou um dia para ser celebrado. Em 13 de julho de 1985 (mesmo ano da primeira edição do Rock In Rio no Brasil), o gênero musical passou a ser lembrado, sobretudo entre os brasileiros, por conta da realização do Festival Live Aid. O megaevento, promovido a pretexto de conscientizar o mundo a respeito da fome na Etiópia (África), aconteceu com duas edições simultâneas: uma em Londres, na Inglaterra, e outra na Filadélfia, nos Estados Unidos.

O músico Bob Geldof, organizador do festival, buscava chamar atenção para a situação que tinha lhe tocado desde 1984, quando conheceu de perto a miséria (material) do povo etíope. A programação trouxe nomes clássicos, como o The Who, Led Zeppelin, Dire Straits, Queen, David Bowie, Mick Jagger, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins, Eric Clapton e Black Sabbath.

Cerca de 180 mil pessoas compareceram a ambos os eventos. Pela televisão, aproximadamente 1,5 bilhões de espectadores acompanharam a transmissão da programação, em 160 países. Era, até então, a maior transmissão televisiva da história do mundo.

O rock foi estabelecido como gênero musical durante a década de 1950. E ganhou elementos de outros gêneros que tinham apelo nos Estados Unidos, como o blues, o country, o folk e a música gospel.

A princípio, a formação de voz, guitarra, baixo, bateria e teclados tornou-se referência para os grupos do gênero. A partir dos anos de 1960 e 1970, com o desdobramento do rock para vertentes como o punk, por exemplo, o clássico formato de "guitarra, baixo e bateria" se difundiu e se alinhou ainda mais à identidade cultural do gênero.

Em termos de comportamento, de início o rock remetia à contestação do status quo e à contracultura, aspecto que nunca se dissociou do gênero, embora hoje já não seja tão forte

Em Fortaleza, para celebrar a data, uma série de programações culturais se dedica ao gênero ainda antes desta sexta (13).

Programações

O Centro Cultural Banco do Nordeste (Centro), por exemplo, realiza, de hoje (12) até sábado (14), a "Semana do Rock". O evento começa logo mais, às 10h30, com exibição do filme "Hair", e segue com mostra de filmes, debates, shows e oficinas. A programação visa discutir como o rock criou novas estéticas musicais e se inseriu no mercado artístico. E ainda toca no apelo sensível do gênero, com a vivência teatral "Como o rock lhe toca?" (hoje, às 14h; e sexta, às 10h30) facilitada pelos "sociodramistas" José Roberto Michelazzo e João Alfredo Boni de Meirelles.

Também a partir desta quinta, e se estendendo até domingo (15), acontece o Festival Rock Vive! no Polo de Lazer do Conjunto Ceará. Durante os quatro dias, a programação traz 24 shows de bandas independentes do Estado (selecionadas após a realização de uma temporada de eventos prévios ao festival), uma mostra audiovisual com clipes e curtas-metragens; além de oficinas, feirinha e intervenções artísticas. O acesso é gratuito, mas a organização pretende recolher alimentos não-perecíveis destinados a instituições beneficentes.

Exposição

Até 31 de julho, a Galeria Benficarte do Shopping Benfica manterá a exposição "Beatles e Stones", também em alusão às comemorações do Dia do Rock. O material exposto reúne um acervo raro do colecionador Gerardo Martins.

São 32 itens, entre livros, revistas e discos. Há, por exemplo, capas de vinis compreendendo lançamentos do Rolling Stones da década de 1960 aos 80. Da discografia dos Beatles, a coleção apresenta o vinil de "A Hard Days Night", lançado 54 anos atrás.

Os livros, por sua vez, contemplam um período mais recente de lançamentos: "Sexo, Drogas e Rolling Stones", de José Emílio Rondeau e Nelio Rodrigues, é de 2008 (Ed. Agir); e "Rock and Roll - Uma história social", de Paul Friedlander, de 2002 (Ed. Record).

Além da mostra, haverá um show, aberto ao público, com clássicos do gênero nesta sexta (13), às 19h, na praça de alimentação do shopping. A exposição fica aberta à visitação de segunda a sábado, das 10h às 22h; e aos domingos, das 13h às 21h.

Orquestra

Na sexta-feira, a programação do Dia do Rock ganha espaço também no Theatro José de Alencar (Centro). A partir das 19h (com ingressos a R$ 10 + 1kg de alimento não-perecível, destinado ao Lar Amigos de Jesus), a Orquestra de Câmara Heitor Villa-Lobos e o grupo Verminosos Rock Band farão um concerto acústico, em homenagem aos Titãs.

O repertório deve passar pelos principais clássicos da banda paulistana, na ativa desde 1981. A partir do terceiro disco, "Cabeça de Dinossauro" (1986), até o lançamento do "Acústico MTV" (1997), os Titãs viveram sua fase áurea, no auge da popularidade e da influência diante do cenário musical brasileiro.

Por fim, neste sábado (14), a partir das 19h, três bandas de Fortaleza, o Old Books Room (divulgando o EP "Where Do The Wild Dogs Live?"), Glauco King (com a divulgação do EP "Freakstar") e Backdrop Falls (prestes a lançar seu primeiro álbum) se apresentam na primeira edição do "Rock na Cultura!", na Livraria Cultura (Meireles). A programação é gratuita. E a iniciativa pretende abrir espaço para valorizar a produção local da música independente.

SAIBA MAIS

Locais da programação

- Centro Cultural Banco do Nordeste: Rua Conde D'Eu, 560, Centro

- Polo de Lazer do Conjunto Ceará: Conjunto Ceará I

- Shopping Benfica: Avenida Carapinima, 2200, Benfica

- Theatro José de Alencar: Rua Liberato Barroso, 525, Centro

- Livraria Cultura: Avenida Dom Luís, 1010, loja 8, Aldeota

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