Teatro

Da realidade à sensibilidade

A peça "Os Realistas" fica em cartaz no São Luiz neste sábado (1) e domingo, com a atriz Débora Bloch no elenco

00:00 · 01.09.2018 por Felipe Gurgel - Repórter
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Débora Bloch em "Os Realistas": questões da existência humana em cena ( Foto: EVALDO GOMES )

Baseado no texto original de Will Eno ("The Realistic Joneses"), o espetáculo "Os Realistas" foi montado em português e chega a Fortaleza em três sessões. Neste sábado (1º), às 18h e 21h, e domingo (2), às 18h, a peça está em cartaz no Cineteatro São Luiz (Centro). Além da direção e atuação de Guilherme Weber, os atores Débora Bloch, Emílio de Mello e Isabel Teixeira compõem o elenco.

Débora Bloch assistiu a uma versão do espetáculo na Broadway (EUA). Instigada pelo texto, decidiu produzir uma montagem em português e a estreia aconteceu em janeiro de 2016, no Rio de Janeiro (RJ). Em entrevista por telefone, a atriz e produtora de "Os Realistas" reforça como se atraiu pela originalidade da dramaturgia.

"Os diálogos têm um pouco de (Samuel) Beckett, e de ser um exercício realista. Porém, o que me atraiu, além da precisão do texto, que achei desafiadora, é que o espetáculo fala de questões do ser humano: do amor, da morte, do casamento, das relações pessoais", justifica.

Ela acrescenta que o texto de Eno aborda "a relação do homem com o desconhecido, com o extraordinário, mas também de uma maneira muito comovente, com humor, embora não se trate de uma comédia. É sobre pessoas muito comuns que vivem numa cidade pequena", resume.

"Os Realistas" se passa em um pequeno município campestre, no Interior. João (Guilherme Weber) e Júlia Silva (Isabel Teixeira) são um casal de classe média. Eles conhecem outro casal, José (Emílio de Mello) e Pônei (Débora Bloch). Todos se tornam vizinhos e, inseridos nesse ambiente bucólico, encontram-se com a "fatalidade" de descobrirem a si mesmos e pensar sobre questões existenciais.

Da estreia até aqui, Débora Bloch recapitula que o elenco mudou (Fernando Eiras deu lugar a Guilherme Weber; e Mariana Lima a Isabel Teixeira); e que o espetáculo segue mais fluido, após dois anos e meio de estrada. "O teatro precisa disso: desse frescor, não é uma repetição, é uma coisa viva. Mas a direção do Guilherme é muito precisa, e o texto também. Não tem improviso, não muda muito, o que muda é que a gente vai melhorando ao longo de uma temporada", situa a atriz.

Turnês

Ela recorda que, após a temporada de estreia no Rio e em São Paulo (SP), no primeiro semestre de 2016, o elenco fez uma turnê passando por seis cidades, mas ficou um tempo sem encenar a peça depois disso. A retomada se deu através de um edital de circulação que permitiu a turnê, agora, pelo Nordeste.

Fortaleza é a segunda capital da região a receber a peça. Pelo projeto - que permite a cobrança de ingressos a preços populares -, Débora Bloch & cia já se apresentaram em Natal (RN), nos dias 11 e 12 de agosto.

"Pra gente, foi muito prazeroso. Não é um musical, uma comédia, é um 'teatro de texto' mesmo, de atuação. E tivemos, além da lotação, uma resposta muito legal do público", elogia Débora. Ela pontua as impressões sobre a mudança do elenco: após as substituições, o grupo precisou reensaiar "Os Realistas".

"Isso deu uma renovada no espetáculo. É uma peça de autor, como se fosse um quarteto de cordas, uma partitura. E foi muito legal e interessante fazer o mesmo texto com outros dois atores (cada um com sua interpretação particular), de uma peça que a gente já tinha feito tanto", observa Débora.

Ao ser indagada sobre Pônei, sua personagem, a atriz é categórica: Pônei não sabe lidar com os "fins" dos ciclos da vida. "É aquela mulher que envelheceu, mas não amadureceu. Ela não quer enxergar os problemas, não quer ver a doença do marido, está sempre em estado de negação de suas próprias angústias", identifica a atriz.

Para conciliar as funções de atriz e produtora da peça, Débora conta com parcerias antigas de sua lida no teatro. Ela cita Alessandra Reis ("que já trabalha comigo há muito tempo", reforça) e o próprio diretor e ator Guilherme Weber, como dois parceiros fundamentais para que não se sobrecarregue com a dupla responsabilidade.

"Já faço isso há muito tempo (sobre produzir e atuar numa mesma peça de teatro). Pra escolher o que quero viver, com quem quero trabalhar. O Guilherme também já faz isso há muitos anos, então temos uma parceria grande. Facilita estar no palco e produzir; você tem certa tranquilidade".

Hiato

Depois da temporada do monólogo "Brincando em cima daquilo" (2007, com direção de Otávio Muller), Débora Bloch passou oito anos longe do teatro. Além dos projetos da TV, a atriz conta que tentava patrocínio para outro trabalho cênico quando conseguiu viabilizar "Os Realistas".

"Pra mim, só faz sentido subir ao palco se eu achar que aquilo tenha alguma relevância para as pessoas". E não é simples encontrar um texto (adequado), é um processo que leva um tempo", observa a atriz.

Mais informações: Espetáculo "Os Realistas". Neste sábado (1º), às 18h e 21h; e domingo (2), às 18h, no Cineteatro São Luiz (R. Major Facundo, 500, Centro). Ingressos: R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia). Contato: (85) 3252.4138

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