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Cordas bem brasileiras

Com show "Pau-Brasil", cearenses do Madeira Trio iluminam diferentes fases da Música instrumental

O Madeira Trio, uma das atrações do Festival Alberto Nepomuceno ( FOTO: JOSÉ LEOMAR )
00:00 · 14.03.2018 por Antonio Laudenir - Repórter

Três músicos reunidos e motivados pelo resgate de uma história pulsante do Brasil. Amigos dos palcos e da vida, dedicados a devassar a música instrumental produzida pelo País em seus mais distintos tempos e territórios. Em poucas palavras, essa tem sido a busca ou trajetória do Madeira Trio.

Resultado de uma pesquisa que recupera preciosidades da música brasileira, o grupo cearense apresenta o concerto "Pau-Brasil" nesta quinta-feira (15), às 19h, no Theatro José de Alencar. O show conta com uma linha narrativa que inicia-se com o legado de Alberto Nepomuceno (1864-1920), considerado o pai do nacionalismo brasileiro, e passa por nomes como Heitor Villa-Lobos (1887-1959),Pixinguinha (1897-1973), Tom Jobim (1927-1994) e Luiz Gonzaga (1912-1989).

O espetáculo que acontece no tradicional equipamento conta com momentos bem distintos. A atuação dos músicos não se restringe ao corpo sonoro e o intuito de Pedro Madeira (bandolim), Luis Hermano (baixo acústico) e Michael Rodrigues (bateria) passa por contextualizar as faixas do set escolhido. No intervalo de cada tema executado, os integrantes dividem as histórias e motivos que tornaram cada um destes mestres da música tão relevantes à história cultural da música. O Trio, assim, protagoniza um show didático, onde o objetivo também atravessa a força de formar e informar uma plateia para a música instrumental.

Bacharel em Composição pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e criador da Orquestra Popular do Nordeste (OPN), Pedro Madeira explica que o Madeira Trio descende diretamente das atividades da OPN. O fluxo de músicos e a vivência no meio acadêmico catapultou a força deste grupo. "Quis fazer o meu trabalho voltado para essa mistura entre música popular e erudita. Daí surgiu a orquestra".

Em 2017, a OPN inicou o projeto "Tremembé - pesquisa e difusão da música cearense". A iniciativa foi contemplada pelo edital do Laboratório de Música do Porto Iracema das Artes. O resultado para o público foi materializado através de concertos que homenageiam compositores cearenses. Outra ação foi o lançamento de um livro de partituras com músicas de Tarcísio Sardinha, mestre do choro cearense. Essa pegada intuitiva pela arte cearense permeou todo o surgimento do "Madeira Trio". Além de referenciar explicitamente o sobrenome do músico, o nome do grupo intervém e referencia o processo acústico deste time.

Com o objetivo de explorar as possibilidades de cada instrumento, formou-se o Madeira Trio com bandolim, baixo acústico e bateria. Misturando as influências do choro, jazz e erudito, o Trio constrói sua linguagem através do intenso diálogo entre os instrumentos e os instrumentistas. Ambos se encontram semanalmente para ensaiar, ouvir música, conversar e tomar café (apontam) e amadurecer o som.

"O Pau-brasil é didático. A música instrumental, por vezes, é de difícil acesso às pessoas. Daí, gostamos de falar e contar um pouco da história dos compositores. Nepomuceno, por exemplo, antes dele não se compunha ópera ou música erudita em português" reflete sobre o material de pesquisa que será apresentado na noite de quinta-feira", organiza Pedro.

Dedicação

O concerto "Pau-Brasil" explora esse significado histórico. Além de Alberto Nepomuceno, a apresentação segue com Villa Lobos, este responsável por manter o desenvolvimento da linguagem do Nacionalismo Brasileiro, explicam os integrantes. Após apresentar esses dois maestros da nossa música, o show ilumina João Pernambuco (1883-1947), violonista que lançou as bases do jeito brasileiros de tocar violão. "Um ícone presente no repertório de qualquer violonista brasileiro, seja ele erudito ou popular", resgatam.

Na esteira do violonista, o som do seminal Garoto, alcunha do paulista Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955) vai ressoar forte no show. Tido como o "Gênio das Cordas", Garoto tocava diversos instrumentos de corda, característica que se tornou comum entre músicos do Brasil. Um dos pilares da Bossa Nova e de suas harmonias dissonantes. "A importância de contar essa história passa pelo fato de que muitas pessoas os desconhecem. O choro, sofre com essa falta de informação. Nosso objetivo é informar sobre nossa cultura", defende Pedro.

Mestres

Antecessor de Jacob do Bandolim (1918-1969), Luperce Miranda (1904-1977), um dos mestres contemplados no repertório, destacou-se pela técnica surpreendente no instrumento e deixou várias composições, entre elas "Quando Me Lembro" uma valsa concerto para bandolim se tornou a mais conhecida. Por sua vez, Jacob, explica o Trio, elevou este instrumento ao seu auge.

A inesquecível Chiquinha Gonzaga (1847-1935), criadora da primeira marchinha de carnaval brasileira, "Ó Abre Alas" e pioneira entre as mulheres a reger uma orquestra no Brasil também estará presente. Ernesto Nazareth (1863-1934), foi um dos principais nomes do maxixe e do tango brasileiro. Compôs diversas pérolas do repertório dos chorões como: "Odeon", "Apanhei-te Cavaquinho" e "Brejeiro". O Concerto segue apresentando outros nomes da música brasileira tais como: Waldir Azevedo, Zé Menezes, Chico Buarque, Tom Jobim, Hamilton de Holanda e Carlinhos Patriolino.

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