MEMÓRIA

Confeitaria Colombo: História e gastronomia

00:18 · 13.04.2013
Numa primorosa edição bilíngue (Português - Inglês), a trajetória da Confeitaria Colombo é reconstruída

Detalhe da capa do livro "Confeitaria Colombo: sabores de uma cidade", de Antônio Edimilson Martins Rodrigues e Renato Freire. A obra reúne pesquisa histórica, retrato da vida social, gastronomia e artes em geral

Tendo como subtítulo "Sabores de uma cidade", este livro - escrito pelo professor Antônio Edmilson Martins Rodrigues e por Renato Freire, graduado em Economia e Engenharia Química, e, há doze anos, é chef da Confeitaria Colombo - tem sua edição enriquecida pela presença de cerca de duzentas imagens, além das receitas de vinte das mais requisitadas iguarias deste centenário estabelecimento.

A obra

Resultado de uma pesquisa criteriosa, a obra entrelaça à História do Rio de Janeiro a própria História da Confeitaria, uma vez que esta, encravada no centro da cidade, "é um daqueles lugares que dão orgulho ao carioca. Homem, mulher, velho, criança. Qualquer um que entrar pelas portas centenárias, se colocar no centro do salão e mirar em um dos oito espelhos das paredes poderá se ver infinitamente refletido e transformado em multidão. É o efeito Colombo" - afirmam os autores, ressaltando a importância estética deste espaço.

A abertura

Após fotografias panorâmicas da fachada do prédio, do teto, dos espaços interiores, bem como registro de seu encantador jogo de azulejos, os autores, a partir do detalhe dos espelhos que singularizam o ambiente, concentram-se na quarta reforma do estabelecimento, que se deu em 1912, momento em que o então prefeito do Rio de Janeiro, Teixeira Passos, empreendeu uma significativa transformação urbana na cidade: "No início do século XX, o carioca se encontrava nas confeitarias. Elas estavam para a cidade como os cafés estão para as ruas de Paris ou os pubs para as de Londres - eram sua alma, o coração pulsante. Ali se discutia a política, se lançava moda, se ouvia a música, se escreviam as crônicas, se contavam as fofocas, se acertavam os trabalhos, se espalhavam os boatos, se viviam os amores e os desamores". Misto de arquitetura, gastronomia e poesia, as confeitarias estavam ligadas intimamente ao cotidiano da cidade.

Vida social

Desde sua inauguração, a Confeitaria Colombo passou a integrar-se ao cotidiano social do Rio de Janeiro. Foi, antes de tudo, um espaço onde se reuniam importantes figuras da cultura brasileira, em especial escritores e compositores, do porte de um Olavo Bilac ou um Heitor Villa-Lobo.

Considerações finais

A Confeitaria Colombo foi inaugurada nos primeiros anos da República Velha e, desde sua abertura, sempre recebeu as personalidades, brasileiras ou estrangeiras, da política, das artes, da economia etc. O português Manuel Lebrão - autor da máxima "O freguês sempre tem razão" - foi um de seus fundadores; era distinguido, dentre os demais donos de confeitarias, pela maneira com que recebia os frequentadores, não importando se o governador do Estado ou um boêmio anônimo: "Lima Barreto conta que o proprietário da Colombo dava tudo o que sobrava - pedaços de leitão, frangos, peixe frito - a um tal de Henrique Rocha.", destacando que este era o maior mordedor da cidade.

Com laivos sociológicos, históricos, econômicos, além de artigos extraídos de jornais e de revistas, a História da Colombo e a do Brasil formam elos de uma cadeia que não se dissolve. Este livro agrada ao leitor por dois caminhos: a escritura muito bem cuidada e a riqueza das imagens.

Livro

Confeitaria Colombo
Freire & Rodrigues

CASA DA PALAVRA
2013, 256 Páginas
R$ 98,00

CARLOS AUGUSTO VIANA
EDITOR

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