FINAL FELIZ

Como seduzir o leitor

00:15 · 21.09.2008
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A americana Katryn Caskie escreve romances históricos recheados com amor e sexo. Ela é best-seller no Brasil e nos EUA com seus “romances sentimentais”

Histórias românticas, heroínas inteligentes e heróis maravilhosos, encantadores diálogos e um enredo intrigante. A americana Kathryn Caskie é uma estrela desse gênero. O lançamento dos dois últimos livros de Kathryn - “Como seduzir um duque” e ”Como conquistar um conde” -, apresentados na Bienal Internacional do Livro de São Paulo (realizada em agosto passado), foi recebido como um maiores acontecimentos do evento. Em termos de presença e interesse do público, diga-se de passagem. Acontecimento, logicamente, ignorado pela grande mídia. Discreta, Kathryn reuniu no estande da editora Nova Cultural dezenas de leitores e falou a jornalistas, numa entrevista coletiva, sobre seu processo de criação.

Kathryn fez questão de frisar que escreve tanto para o público masculino, como para o feminino. Questões de gênero, afinal, são coisas do passado. Reforça que todos os seus livros têm um final feliz, como em qualquer conto de fadas. “Isso ajuda muito” - explicou. Os heróis de Kathryn enfrentam muitos desafios, passam por momentos difíceis, mas ao final da trama sempre encontram a felicidade. “Acho que o ´final feliz´ é o que atrai o público”, reitera.

Respondeu a muitas perguntas, algumas debochadas. Uma repórter chegou a lhe perguntar como se encontra um ´príncipe encantado´. Ela respondeu com um sorriso maroto. Depois, desfechou: “Leia o meu livro que você encontrará a resposta”.

Aliás, o território dos seus livros é repleto de príncipes encantados, condes desesperados, mas sedutores. “As mulheres gostam do final feliz”, repete. E explica: “Quando chegam em casa cansadas, exaustas em conseqüência da pressão cotidiana, querem ler minhas aventuras, querem relaxar. Minha literatura é de entretenimento. Feita para o leitor ou a leitora relaxar, fugir dos problemas cotidianos”.

Tudo é imaginação? Pelo menos, Katryn diz que não. Seu trabalho, segundo ela, é fruto de muita pesquisa, inclusive histórica. Considera-se uma grande leitora, tantos dos romances do século XIX, XX e XXI, quanto dos livros de História. “Tenho uma leitura muito vasta e muita coisa levo para os meus romances”, afirma. Revela que sua casa - construída há 200 anos - é repleta de livros. Mesmo assim, não aponta influência de ninguém. Cita “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, como um dos seus livros prediletos. Mas diz que não foi de maneira nenhuma influenciada por Austen.

Influência

Além de uma ávida leitora, Katryn gosta muito de filmes baseados em romances históricos. E os folhetins franceses? Aprecia, mas os deixa de lado quando escreve suas histórias. “O importante é o sentimento, o amor, o sexo, temas universais. Por isso, alcanço sucesso tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos. Os relacionamentos difíceis, complicados, cheios de peripécias dão o tom dos meus romances”.

Fórmulas de escrita, segundo Kathryn, não existem. Cada livro é um livro. As histórias não ser repetem. Confessa, entretanto, que sua maneira de escrever é “engraçada, bem humorada, deliciosa”. Explica que quando aborda um determinado período histórico o aproxima dos dias atuais - “para que os leitores se sintam mais próximos da realidade”. Mesmo com uma radical adaptação, assinala que sua pesquisa é exaustiva. E conta com um auxílio precioso: sua irmã, que é historiadora. “Ela revisa meus originais e não deixa passar possíveis erros históricos”.

Outro ponto importante na sua escrita - apesar dos amores, paixão, sexo, sedução - é o tratamento dado à família, também um eixo central dos seus livros. “Acho que as pessoas gostam de ler, saber sobre famílias. O comportamento de outras famílias em determinados contextos desperta o interesse do leitor”, explica. Também escreve sobre os agregados, os funcionários da casa, as empregadas. Todos são personagens, protagonistas ou coadjuvantes. “Uma empregada pode se apaixonar pelo filho de um casal rico e importante, ou vice-versa. Não é?”

E o sexo? Os livros de Katryn são repletos de sexo. Coisa natural. Segundo ela, isso também está dentro do que chama de “questões universais”. O que ocorre tanto na estrutura do drama, da comédia e da tragédia. Tudo tem sexo. Mas toda trama, diz, tem que ter um final feliz. Pelo menos no seu caso. “Ora, um romance sobre um crime termina com a solução do crime e a prisão do assassino. O mesmo ocorre com os meus romances, minhas tramas de amor, família e sexo. O final tem que ser feliz”.

Ela diz não se importar com o olhar da universidade, dos acadêmicos, sobre a sua obra, nem com as críticas. Jornalista, redatora de roteiros para TV e autora de vários romances históricos, Katryn já ganhou prêmios da revista norte-americana “Romantic Times” e se orgulha de figurar na lista de best-sellers do jornal USA Today. “Não guardo mágoas da crítica. Aliás, a academia não me critica. Tem inclusive amigas na universidade que gostam dos meus livros. A única crítica que recebi foi de um professor. Um homem que acho até que nunca leu nenhum dos meus livros”.

Sobre o Brasil, pouco conhece. Só sabe notícias do País através do sucesso dos seus livros. “Fico feliz que os brasileiros apreciem minha literatura”. Achou o povo caloroso, hospitaleiro e pretende visitar o Brasil com mais freqüência. Desconhece, também, os escritores brasileiros. “Nunca tive a oportunidade de ler”. Nem Paulo Coelho? “Mas, por favor, quem é Paulo Coelho?, indagou. O repórter explicou que os livros de Paulo Coelho vendem como água em todo o planeta e tratam, quase todos, de questões espirituais - com pitadas, também, de sexo e esoterismo. Ela ficou empolgada. Prometeu que vai ler Mr. Coelho.

JOSÉ ANDERSON SANDES
Editor


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