Coelho

Paulo Coelho: sobre os dons do Espírito

00:00 · 06.01.2018

Dom Rafael Llano Cinfuentes, em seu livro "A força e a suavidade do Espírito Santo", nos dá uma excelente visão de todo o potencial divino que possuímos - mas não utilizamos. Para ilustrar o texto, utiliza exemplos reais, que transcrevo a seguir:

Michelangelo e a Capela Sixtina

Quando encomendou a pintura da famosa capela, o Papa deu uma série de recomendações a Michelangelo: cenas do Antigo Testamento, profetas, apóstolos... O pintor não ficou muito satisfeito, mas mesmo assim concordou. Começou a fazer o trabalho de acordo com as instruções recebidas, e embora todos elogiassem, ele estava insatisfeito com os resultados.

Um domingo, foi descansar em uma taberna do Trastevere, que tinha fama de servir o melhor vinho de Roma. Pediu um copo, achou a bebida um pouco avinagrada, mas nada disse - afinal de contas, o local era conhecido pela qualidade, e talvez seu paladar que estivesse errado! De repente, um homem na mesa ao lado levantou-se e reclamou: "Este vinho não presta!".

O taberneiro pareceu surpreso: "Não é possível, servimos o que há de melhor nesta cidade! Deixe-me experimentá-lo". Bebeu um pouco, olhou para o freguês, puxou uma faca, e disse: "Tem razão. Não merece ser servido aqui." Com a lâmina rasgou os recipientes de couro, e a rua foi inundada por um rio vermelho.

Naquele mesmo instante, Michelangelo teve uma revelação: todos pensavam que a pintura que estava executando era a melhor de Roma, como o vinho daquela taberna. Ele até então não se atrevera a dizer nada, porque era a opinião da maioria, inclusive do Papa! Levantou-se na mesma hora, foi até os murais, apagou tudo e recomeçou de novo. Foi chamado de louco por todos, mas conseguiu criar um mural que até hoje é considerado como um marco na história da arte.

Comenta Dom Rafael: "precisamos ter a valentia de rasgar cortar, queimar, para poder recomeçar e reconstruir".

Santa Teresa em oração

Perguntaram a Santa Teresa do Menino Jesus porque passava tanto tempo na capela de seu convento.

- Rezo.

- E que dizes ao Senhor?

- Nada - respondeu ela.

- Como? Que fazes então?

- Amo.

Comenta Dom Rafael: "a mãe ama em silêncio o seu filho. Esta atitude permanente de abertura é um potente radar que capta as insinuações do Divino".

Tenho orgulho do meu coração

Guillomet - que o piloto e escritor Saint-Exupéry (autor de "O Pequeno Príncipe") cita em seu livro "Terra dos Homens", sofreu um acidente aéreo nos Andes chilenos.

Resistiu à tentação de abandonar-se no seu leito de neve, e começou a andar em busca de socorro. Estava no limite de sua resistência, mas pensava em apenas uma coisa: "minha esposa e meus amigos acham que estou andando. Se abandonar-me à sorte, serei um covarde". Este pensamento o encheu de uma energia incrível, que o fez subir e descer montanhas durante três dias e três noites. Quando pensava em desistir, implorava ao coração: "bata mais forte! Eu tenho orgulho de você, não me deixe". Finalmente uma equipe de buscas o encontrou, quase sem forças - mas vivo para contar a história.

Comenta Dom Rafael: "Todos nós, seres humanos, somos elos da mesma corrente. Eu tenho que resistir, para que a corrente inteira não se parta".

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