Coluna

Paulo Coelho: sob as condições de trabalho

00:00 · 07.10.2017

Cada ser humano sabe a melhor maneira de estar em paz com a vida; alguns precisam de um mínimo de segurança, outros se entregam ao risco sem medo. Não existem fórmulas para viver o próprio sonho - cada um, ao escutar seu próprio coração, saberá a melhor maneira de agir. A seguir, algumas histórias a respeito.

Ajudar atrapalha

O escritor americano S. Anderson sempre foi indisciplinado, e só conseguia escrever movido por sua própria rebeldia. Seus primeiros editores, preocupados com a situação de miséria que Anderson vivia, resolveram enviar um cheque semanal como adiantamento de sua próxima novela.

Depois de um mês, receberam a visita do escritor - que devolveu todos os cheques.

- Faz tempo que não consigo escrever uma linha - disse Anderson. - Para mim, é impossível trabalhar com a segurança financeira me olhando do outro lado da mesa.

Nunca pensar no outro caminho

"Uma vez que escolhemos um caminho, precisamos esquecer todos os outros", dizia o mestre aos seus aprendizes. Lowon, o discípulo que não sabe aprender, escuta com atenção.

Na saída da conferência, Lowon é convidado por um grupo de pessoas para realizar uma palestra num bar.

- Recuso qualquer pagamento - diz Lowon. - Fiz minha escolha, sou um servidor, quero divulgar a palavra da Fé.

O grupo fica contente, vão até o bar, e Lowon dá a palestra. No final, pergunta:

- Apenas por curiosidade, eu gostaria de saber: quanto dinheiro eu recusei?

Ao saber do excelente pagamento que lhe seria feito, Lowon sente-se explorado pelo grupo que o convidou, e vai queixar-se com o mestre.

- Quando a gente faz uma escolha, deve sempre esquecer as outras alternativas. O homem que segue um caminho, e fica pensando no que perdeu ao abandonar os outros, nunca chegará a lugar nenhum - é a resposta do mestre.

Não aceitar as pequenas faltas

O mestre pediu aos seus discípulos que conseguissem comida. Estavam viajando, e não conseguiam se alimentar direito.

Os discípulos voltaram no final da tarde. Cada um trazia o pouco conseguido através da caridade alheia: frutas já podres, pães duros, vinho azedo.

Um dos discípulos, porém, trazia uma cesta de maçãs maduras.

- Sempre farei todo o possível para ajudar meu mestre e meus irmãos - disse ele, dividindo as maçãs com os outros.

- Onde você arranjou isto? - perguntou o mestre.

- Tive que roubá-las. Só queriam me dar alimentos velhos, mesmo sabendo que pregamos a palavra de Deus.

- Pois vá embora com suas maçãs, e não volte nunca mais - disse o mestre. - Aquele que hoje rouba por mim, amanhã terminará roubando de mim.

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