Coluna

Paulo Coelho: provérbios dos Pirineus

00:00 · 24.02.2018

Passo pelo menos três meses por ano em uma cidade chamada Tarbes, junto da cadeia de montanhas dos Pirineus. Recentemente, resolvi recolher alguns provérbios da região; como na maioria dos casos é impossível identificar o autor, coloco o nome de quem me relatou:

"Cada vez que morre um velho africano, é como se uma biblioteca inteira pegasse fogo" - Anônimo, recolhido por Malika.

"Todo mundo quer conhecer o Paraíso, mas ninguém quer morrer" - Nam.

"As mulheres são como os continentes: aos 20 anos, são a América, todos sonham em conhecê-la, e os que conseguem raramente se desencantam. Aos 30 anos são a Europa, sábias e cheias de maturidade. Aos 40 anos são a Ásia, envoltas em promessas e mistério. Aos 50 anos são a África, que todo mundo sabe onde é, mas ninguém quer visitar" - Alain Niah-Kyn, em um dos provérbios mais politicamente incorretos que já vi.

"Mesmo que você odeie as lebres, precisa reconhecer que elas correm muito rápido" - Antoine Lux.

"Se dois cozinheiros cuidam da mesma sopa, ela terminará muito salgada - ou sem sal nenhum" - Daniel Labardere.

"Aquele que vive dizendo 'eu não ligo para isso', irá terminar descobrindo a frase 'ah se eu soubesse...'" - Allen Tannu.

"A vida é como andar de bicicleta - só caímos quando paramos de pedalar" - Frederic Bonomelli.

"A História não é feita daquilo que lembramos, mas daquilo que não queremos esquecer" - Jacques Laffite.

"Só cabrito morto não tem medo de punhal" - Anônimo.

"Aqueles que não sabem porque amam, são aqueles que realmente sabem amar - Sylvie Pinta.

"Se você nunca ousou atravessar um rio, não fique rindo daqueles que se molharam tentando" - Um velho em Argeles-Gazost.

"Não é porque o tigre está magro, que nós iremos passar a Chamá-lo de gato" - Genevieve P.

"Quando você chutar sem querer uma pedra, a culpa não é dela, mas do seu pé - que não sabe onde está pisando" - Lois Bonomelli.

"No momento de nascer, recebemos um passaporte, uma passagem, e um visto para visitar o país da Morte" - Didier Faure.

"O cachorro tem quatro patas, mas todas são obrigadas a seguir o mesmo caminho" - Jacques, do café Monocle.

"Só entendem as bênçãos do Paraíso aqueles que já conheceram o Inferno" - Guillaume, citando um provérbio árabe, depois de me contar como tentou o suicídio por causa de um amor.

"O avarento guarda todo seu dinheiro para três pessoas que ele detesta: o futuro esposo de sua mulher, o seu genro, e sua nora" - Malika, citando um provérbio da Tunísia.

"Os jovens andam em grupo, os adultos em dupla, e os velhos andam sozinhos" - Do mesmo velho em Argeles-Gazost.

"Procure mudar em você aquilo que você quer mudar no mundo" - Jacqueline Peyrot.

"Justamente quando eu descobri todas as respostas, mudaram todas as perguntas" - Placa em um café na cidade de Ger.

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