Paulo Coelho - Caderno 3 - Diário do Nordeste

COLUNA

Paulo Coelho

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27.07.2014

Judeus, cristãos, muçulmanos

Poupando a energia que resta - Dois rabinos tentam de todas as maneiras levar o conforto espiritual aos judeus na Alemanha nazista. Durante dois anos, embora mortos de medo, enganam a Gestapo - a temível polícia de Adolf Hitler - e realizam ofícios religiosos em várias comunidades.

Finalmente são descobertos e presos. Um dos rabinos, apavorado com o que pode acontecer dali por diante, não para de rezar. O outro - ao contrário - passa o dia inteiro dormindo.

- Por que você está agindo assim? - pergunta o rabino assustado.

- Para salvar minhas forças. Sei que vou precisar delas daqui por diante.

- Mas você não está com medo? Não sabe o que pode nos acontecer?

- Eu estava em pânico, até o momento da prisão. Agora que estou nesta cela, de que adianta temer o que já aconteceu? O tempo do medo acabou; agora começa o tempo da esperança.

Não precisamos de Ti

Os noviços do mosteiro de Sceta assistiram, certa tarde, um monge ofender o outro. O superior do mosteiro, Abade Sisois, pediu ao monge ofendido que perdoasse seu agressor.

- De jeito nenhum - foi a resposta. - Ele fez, e terá que pagar.

Na mesma hora, o abade Sisois levantou os braços para o céu e começou a rezar:

- Meu Jesus, não precisamos mais de Ti. Já somos capazes de fazer os agressores pagarem por suas ofensas. Já somos capazes de tomar a vingança em nossas mãos, e cuidar do Bem e do Mal. Portanto, o Senhor pode afastar-se de nós sem problemas.

Envergonhado, o monge agredido perdoou imediatamente seu irmão.

Pensando nas gerações futuras

Quando jovem, Abin-Alsar escutou uma conversa do seu pai com um dervixe.

- Cuidado com suas obras - disse o dervixe. - Pense na maneira como elas vão afetar as gerações futuras.

- O que eu tenho a ver com as gerações futuras? - respondeu o pai. - Nunca vou conhecê-las; quando eu morrer, tudo estará acabado, e não me importa o que dirão meus descendentes.

Abin-Alsar jamais esqueceu a conversa. Durante toda a sua vida, esforçou-se para fazer o bem, ajudar as pessoas, executar seu trabalho com entusiasmo.

Tornou-se um homem conhecido por sua preocupação com os outros; ao morrer, tinha deixado um grande número de obras, que melhoraram consideravelmente o nível de vida de sua cidade.

Em seu túmulo, mandou gravar o seguinte epitáfio:

"Uma vida que termina com a morte, é uma vida que não valeu a pena".

Provérbios do Islã

"O amor é como uma vela: o fogo a consome, mas uma vela apagada é inútil" - Hafis.

"Quem deseja segurança, melhor permanecer na praia. Quem busca tesouros, precisa mergulhar no oceano" - Saadi de Xiras.

"Um mergulhador que só pensa em tubarões, jamais terá pérolas em suas mãos" - Saadi de Xiras.

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