Estrelas do dia

Estrelas do dia

ler@diariodonordeste.com.br

00:00 · 09.02.2014

A Dupla Hélice
James Watson

Em 1953, Francis Crick e o jovem James D. Watson, na época com apenas 24 anos, revolucionaram a bioquímica ao decifrar a estrutura do DNA. A descoberta foi um divisor de águas não apenas na área científica, mas também para a compreensão da própria base da vida, e valeu aos dois o Prêmio Nobel. No entanto, por trás da fama, há uma história de rivalidade, ambição e controvérsia, ao longo de todo um tempo considerável. Com talento narrativo irresistível, Watson reconta de forma direta, irônica e muitas vezes ácida o nascimento da ideia revolucionária, os esforços, dúvidas, dilemas, a luta repleta de tensão para cruzar a linha de chegada na frente dos adversários - e o triunfo final.

Corpo no Escuro
Paulo Nunes

Entre o lirismo e a observação lancinante sobre o ciclo da vida, a ausência de religião e a metafísica, um olhar inaugural e o manejo seguro da tradição da poesia em língua portuguesa, o mineiro Paulo Nunes faz de sua estreia em livro um desses momentos que devem ser saudados pelos leitores da nossa melhor lírica. Dividido em duas grandes seções, "Óbvni" e "Tempo das águas", o volume traz, articuladas ao longo dos poemas, meditações, observações e tentativas do autor de perscrutar a realidade em praticamente todos os seus aspectos. De feição sóbria, ostentando uma voz algo clássica e falando de temas maiúsculos da poesia , como o amor e a morte.

Uma Noite em Curitiba
Cristovão Tezza

Quando desapareceu de Curitiba, abandonando a bem-sucedida carreira de professor universitário e um casamento aparentemente feliz, Frederico Rennon deixou como pista apenas algumas cartas escritas no computador, endereçadas à atriz Sara Donovan. As primeiras mensagens são quase protocolares, e aos poucos as trocas vão ganhando novos contornos, à medida que o professor e a atriz se envolvem em uma paixão improvável. Porém, a progressiva derrocada da face virtuosa do professor é comentada, contestada e ridicularizada por seu filho.

O Uso do Punhal
Álvaro Alves de Farias

Uma das marcas singulares deste lilvro, é, sem dúvida, definida pela sequência de imagens lancinantes, uma vez que, impactantes, põe o leitor diante do estranhamento: "Fiz muito mal a mim mesmo / em não matar-me aos 37 anos". Há, por parte do sujeito da escrita, uma leitura desencantada da condição humana, cujo destino indelével vai ao encontro da decomposição em suas expressões mais diversas: "Da outra parte do mundo / parte o mundo em sua parte / com o zelo de uma serpente / ferida a luz que se apaga / a ponta dos dedos cortados / inutilidade da poesia". Belos, também, os metapoemas.

A Luz Difícil
Tomás González

Após uma acidente de trânsito que o deixou com dores terríveis nas pernas, Jacobo - primogênito do protagonista, David - decide viajar para uma cidade onde ele possa realizar a eutanásia a fim de encerrar seu sofrimento. A trama se concentra no suplício da família à espera do desfecho desse episódio. Narrado pelo pai, vinte anos depois, relata os sentimentos e contradições enfrentados na época, ao lado da esposa e dos amigos mais próximos. Por meio de lembranças há muito escondidas e já turvas, David descreve como suportou as horas agarrando-se à esperança de uma pergunta inevitável: no último minuto, ele se arrependerá?

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