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Erilene Firmino

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Erilene Firmino

erilene@diariodonordeste.com.br

00:00 · 09.05.2014

Enquanto o amor não vem

São tantos começos e recomeços que perdi a noção de tempo. Simultaneamente tão bom e desgastante que, às vezes, estou bem no meio da confusão e não sei dizer com exatidão se gosto ou não de estar nesta relação destruidora de paz.

Será também ela capaz de destruir o amor? Não sei. Difícil precisar quantas idas e vindas cabem em um final.

Uma certeza hoje tenho. É sobre a necessidade de partir. Ela não veio de pronto. Há tempos se configura em minha cabeça, pois, há tempos também venho me perguntando quando vou desistir, de verdade, de você. Mas desistir mesmo.

Esquecer até curtidas e compartilhadas de amizade no Facebook, qualquer sinal de vida nas redes sociais. Desistir sem me importar como está sua vida, como será o amanhã, se haverá depois. Desistir sem me importar com qualquer fato, deixar de lado como se não existisse. No que diz respeito a você, ficar brincando de faz de conta. Desistir definitivamente.

Talvez seja agora, porque estou cansada. Talvez seja agora, porque não posso cuidar de todo o mundo e preciso encontrar um lugar para existir, além daqueles onde hoje habito.

Procurar um lugar para existir onde possa estar em paz, sem ter de dar muro em ponta de faca a cada segundo, porque ao meu lado estão pessoas com vontade de guerra. Elas brigando enquanto eu caminho triste, já voltando para casa, cabeça baixa, com semblante típico de quem sabe ter perdido as maiores batalhas.

Não, eu não desisto antes do tempo! Não me acovardo. Eu só tenho sensatez suficiente para perceber se ainda é possível ou quando, de fato, terminou. E pronto.

Talvez por isso desista de você agora. Virou questão de sobrevivência: ou eu ou você. Estamos em momentos distintos da vida. Ainda há pouco, fiz a curva para iniciar retorno, ficar na próxima parada. Estou em descompasso. Aparentemente caminho junto, mas ando perdida por aqui.

Estou indo para não sei onde e, desta vez, literalmente, vou para onde meus pés me conduzirem, sem muito pensar. Careço tanto cuidar de mim. Dizer-me que pode ser, que talvez, que caminhe, que falta pouco, que quem sabe.

As amarras já estão frágeis. Em breve, as solto todas. Subo naquele navio, naquele avião, em qualquer sonho, sigo. Por ora, fico em silêncio absoluto de quem já decidiu e só espera a hora de fazer. Quanto tempo será este tempo? Será que no meio do caminho desistirei mais uma vez? Será que me calo e lhe deixo partir da minha vida sem nada dizer? Será que lhe digo o adeus? Será? Não suporto mais dizer, discutir, lembrar, ser lembrada. Tão cansada de dizer tantas vezes. Tão cansada...

Vou apagar esta luz que carrego nas mãos como norte, ligar o botão do automático, colocar máscara de me importo, me misturar. Talvez a máscara cole no rosto e, com o tempo, eu acredite nela e aja conforme de verdade. Talvez me fira a pele da cara, meu rosto arda como se estando em carne viva recebesse álcool, talvez se incorpore à minha alma, talvez.

Ser egoísta e me importar apenas comigo, pelo menos uma vez. Uma vez só, deixar de ir, deixar de ser, viver como se todo o resto fosse desimportante. Viver assim, sem nada, apenas respirando.

Depois de tantos e vida tanta, faço aquele retorno, fico naquela parada, volto para aquele ponto onde assustada descobri não haver caminhos certos, só uns atalhos bestas ligando nada a lugar nenhum.

Talvez por isso, por este cansaço e esta desvontade, é que vá ficando por aqui. Enquanto espero, não sei. Talvez desista de você, talvez coloque máscaras, talvez caminhe, só caminhe, paciente e, impacientemente, caminhe.

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