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Contraplano: Jogo encerrado

Contraplano

diego.benevides@diariodonordeste.com.br • Coluna focada no melhor do cinema brasileiro e mundial

00:00 · 13.05.2017 / atualizado às 03:03

O Festival Cine PE, que aconteceria de 23 a 29 de maio, foi suspenso após a movimentação de sete realizadores que pediram a retirada de seus respectivos filmes da competição. Em nota oficial, eles afirmam desconforto em participar de uma seleção junto a filmes considerados “de direita”, referindo-se aos longas “O Jardim das Aflições”, sobre Olavo de Carvalho, e “Real – O Plano por Trás da História”. Para além dessa questão, o Cine PE nunca se mostrou politicamente neutro, ainda que de forma menos escancarada. Depois que um de seus diretores, Alfredo Bertini, ocupou a Secretaria do Audiovisual durante a gestão do presidente Michel Temer e facilitou uma suposta perseguição ao filme “Aquarius” como representante brasileiro no Oscar, os ruídos se ampliaram. Claro que os diretores sabiam desse contraponto e, mesmo que tenham enviado seus filmes espontaneamente, têm o direito de reconsiderar e pedir a retirada. Da mesma forma que os que permaneceram na competição têm o direito de usar o espaço para dialogar sobre as questões políticas que os dizem respeito. Os profissionais do setor se dividiram sobre a atitude dos diretores, que não deixa de ser uma forma de resistência política e artística.

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“Abissal”, curta-metragem cearense dirigido por Arthur Leite, foi um dos que pediram a saída do Festival Cine PE

Filme

Cineclube

O Cine Rebuceteio estreia no Cinema do Dragão na segunda-feira (15), às 19h. A sessão de lançamento será com o longa “Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava”, de Fernanda Pessoa, inédito em circuito cearense. A obra se comunica diretamente com a proposta do cineclube, que recebeu este nome em homenagem ao clássico “Oh! Rebuceteio” (1984), dirigido por Claudio Cunha, que ficou com estigma de pornochanchada grosseira. Em “Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava”, Fernanda Pessoa parte da própria pornochanchada para refletir sobre a ditadura militar no Brasil, através de sons e imagens desses filmes característicos, que mostravam mais sobre o País do que o público imaginava.

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Olhares

Atualmente um dos festivais de cinema mais preocupados com as propostas estéticas e narrativas do cinema, o Olhar de Cinema terá sua sexta edição de 7 a 15 de junho, em Curitiba. Além de fazer um recorte da produção internacional, os filmes brasileiros também sempre são colocados em evidência. Obras como “Navios de Terra”, de Simone Cortezão; “A Casa de Lucia”, de João Marcelo e Lucia Luz; “Meu Corpo é Político”, de Alice Riff, serão exibidos no festival.

Fantasia

Gary Whitta, um dos roteiristas de “Rogue One: Uma História Star Wars”, teve seu primeiro romance publicado no Brasil, pela editora Darkside Books. “Abominação” é um romance de fantasia dark que reconta um dos capítulos mais sangrentos da história da Inglaterra: as invasões vikings do século IX. Investindo em elementos que transitam entre fantasia, ficção científica, mitologia nórdica e gore, a obra é um mergulho obrigatório no universo dos bárbaros.

Memória indígena

Documentário Depois do elogiado e premiado “Martírio”, imersão documental e antropológica sobre os Guarani-Kaiowá dirigida por Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tita, os diretores Henrique e Marcela Borela lançam “Taego Ãwa”. O filme lida com imagens de arquivo que se misturam a registros recentes dos índios Ãwa. Temática sempre necessária para ser discutida, o longa-metragem goiano faz um registro etnográfico sobre a preservação e a identidade da cultura indígena, criticando a violência sofrida por esse povo. Ainda esse ano, mais um filme com temática indígena deve se destacar nas telonas. Trata-se da ficção “Antes o Tempo Não Acabava”, de Sergio Andrade e Fabio Baldo, rodado em Amazonas. 

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