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Contraplano (Diego Benevides): Entre fronteiras

Contraplano

diego.benevides@diariodonordeste.com.br • Coluna focada no melhor do cinema brasileiro e mundial

00:00 · 02.12.2017
"Antes o Tempo Não Acabava" marca a parceria de Sérgio Andrade e Fábio Baldo na direção

Estreia em circuito cearense limitado o premiado drama amazonense "Antes do Tempo Não Acabava", codirigido pelos cineastas Sérgio Andrade e Fábio Baldo.

A obra, exibida em importantes festivais como Berlim, Queer Lisboa e Brasília, mostra os conflitos de um jovem índio que se vê entre a preservação de suas tradições e o conhecimento de um novo mundo a partir da descoberta de sua sexualidade. "Antes o Tempo Não Acabava" é dirigido com requinte, explorando os cenários da periferia de Manaus, onde os líderes tentam manter vivas as tradições de seu povo. Ao discutir o deslocamento social e a ancestralidade, a obra também se mostra necessária para pensar a representatividade indígena no cinema. O protagonista Anderson, interpretado pelo índio Anderson Tikuna, carrega com competência as difíceis transições da história.

O mundo que se transforma ao seu redor é, ao mesmo tempo, mágico e opressor, e cabe a ele buscar novas formas de se relacionar com ele mesmo e com os outros. Entre a floresta e a cidade, a jornada de Anderson transita entre o realismo e o místico, escolha certeira dos diretores para abrir os simbolismos diante da câmera.

#Screamers

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O formato de falso documentário em histórias de terror já não é mais novidade. O que se tenta hoje é dar novas utilidades a essa escolha narrativa. Assim, o suspense "#Screamers", dirigido por Dean Ronalds, não dá nenhum passo a frente em sua proposta. A história acompanha um grupo de profissionais que trabalha em um famoso site que viraliza vídeos. A premissa é interessante, ainda que discuta de forma superficial o que se faz para atrair a atenção dos usuários da grande rede. Por outro lado, a história de terror que nasce a partir de um vídeo amador, que o grupo vai investigar sua procedência, não funciona pela falta de ritmo ao criar suspense com uma possível manifestação fantasmagórica que, no fim das contas, não faz diferença.

Drama

Em cartaz no Cinema do Dragão, "O Outro Lado do Paraíso" é o mais recente trabalho do cineasta finlandês Aki Kaurismäki, dos elogiados "O Homem Sem Passado" (2002) e "O Porto" (2011). O diretor segue mesclando sua abordagem política a partir da crise de refugiados na Europa, sem deixar de lado uma comicidade quase involuntária das situações criadas pelo roteiro. Violência, opressão e esperança se misturam nessa fábula possível.

Comédia

O novo filme do diretor cearense Halder Gomes coloca os personagens nordestinos como protagonistas de uma história ambientada em São Paulo. Ainda que não assine o roteiro como em suas obras anteriores, seu humor particular está evidente na trama. Esquetes exploram os absurdos dos personagens, revelando um humor desgastado que extrapola o estereótipo equivocado em situações que falham consideravelmente em divertir.

Odisseia coreana

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Ação Exibido fora de competição do Festival de Cannes, "A Vilã" é uma experiência visual impressionante. As inspirações do cineasta sul coreano Jung Byung-gil vão de Quentin Tarantino a Luc Besson, sem abrir mão de sua própria originalidade. Não há economia na violência gráfica e a atriz Kim Ok-bin mergulha em todas as nuances da protagonista, uma mulher treinada para matar que vê sua vida desmoronar. As sequências de ação, em especial a do início e a corrida de motos na cidade, são perfeitamente orquestradas e mostra o olhar requintado e o conhecimento vasto sobre linguagem cinematográfica do cineasta. Byung-gil brinca com as possibilidades da câmera, confiando na montagem para criar sequências orgânicas e de ritmo insano. Do segundo para o terceiro ato, o roteiro se atrapalha um pouco na interseção entre os gêneros de ação e drama familiar, mas os exercícios de estilo deixam uma boa impressão ao fim da sessão.

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