Arte Cearense

Arte Cearense

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00:00 · 09.03.2014
Pintura de Mano Alencar

O artista plástico Mano Alencar é, antes de tudo, o poeta das cores, com alianças entre as diversidades de formas

Poemas de Itamar Pessoa

Soneto (ode) aos poetas

A voz dos poetas são os seus versos, pois é o versificar

A maneira mais sublime deles os sentimentos expressar

E os menestréis fazem de modo alegre, triste ou vibrante.

Por isso, eles, os poetas, são seres que às vezes se fecham,

Para não despontar, levar avante, suas íntimas confidências,

E, paradoxalmente, n'outras ocasiões, livremente se acham

Desassombrados, para revelá-las, soltá-las das suas consciências.

É através das estrofes que os poetas geram emoções, declamam,

Cantam, exaltam os seus afetos, suas mágoas, seus anseios,

Lamentam os amores perdidos e os conquistados proclamam.

Como u'a forma de se libertar e liberar d'alguma angustia incontida,

Também diversamente, despontando alegrias, ou mesmo ira escondida,

Ou algum amor por ele ansiado, platonicamente consigo guardado

Tudo isso, por vezes brotando espontâneo, d'alma e do pensar do bardo.

Mulher desamada

Faz pena ver u'a mulher sem estímulo a ser amada

À vista d'um infortúnio, por um enlace desfeito

Que a deixou sem alento, de toda amargurada.

O mais lastimável em tudo é quando tal adversidade

Atinge uma mulher jovem, no seu pleno refulgir

Levando-a com relação a homem apenas dele fugir

Por guardar sempre consigo aquela infelicidade.

E, frustrada, desiludida não quer mais saber de amar

Por sentir-se desprezada, embora bela e formosa

Não encontrando uma forma pra dessa aflição se livrar Isso quase sempre deixa a mulher desarticulada

Mormente quando perdura numa diva esplendorosa

Que tem o sorriso igual ao desabrochar d'uma rosa

Não dando a entender ela ser u'a mulher desamada.

Por que t'escondes?

Por que tentas t'esconder daquilo que não existe?

Não sabes que dessa forma, mais cruel podes tornar,

Uma existência infeliz, sozinha, sem ninguém ao teu redor?

Deve ser bem dolorosa, uma vida assim, tão triste...

Eis que, desvalida é a pessoa, que para o mundo se oclusa.

Como estás tu a fazer, tentando, a si própria enganar,

Para ver se também a outrem consiga a idêntica sina levar.

Que as benditas fadas guias te achem onde estiveres,

Em qualquer parte, no mais recôndito dos lugares,

E logo, rápido, bem ligeiro, tal intento seja alcançado.

E assim, nessa sublime missão, certamente te hão de achar,

Ao transpassarem as mais duras e árduas de todas as procuras,

Dando-me alento, empós das mais incontidas das esperas,

Para finalmente, possa eu te abraçar, de te beijar, te amar.

Segredos d'alcova

Dentro de quatro paredes, os deleites do amor

Entre o homem e a mulher, não têm limitações

Em se tratando de sexo, tem sim aproximações,

Porque corações unidos fazem tudo com ardor.

Pois quando existe apego, a vida a dois tem alento,

É livre o ato amoroso, sem nenhum impedimento

Sendo ele praticado solto e sem acanhamento.

E nestes momentos íntimos, despreza-se a moralidade

Pois nos aconchegos d'alcova não existe hipocrisia

O casal apaixonado tudo ali faz com total normalidade.

É que os agrades havidos entre dois ardentes amantes

Devem ser de todo assentidos, sem censura nem cortes

E, quando os prazeres do amor tiverem seu ápice atingido

Este momento sublime, por eles, jamais será esquecido.

O autor

Itamar Pessoa é cearense, identificado com a estética modernista, cultiva o estilo mesclado como elemento-chave

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