Arte Cearense

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00:00 · 02.03.2014

Pintura de Otacílio de Azevedo
Sem Título

Otacílio de Azevedo nasceu na cidade de Redenção, aos 11 de fevereiro de 1892, tendo falecido em Fortaleza, aos 3 de Abril de 1978). Pintor, desenhista e poeta, foi membro da Academia Cearense de Letras e fundador da Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia

Sobre o autor

Almir Diniz é cearense de Manaus, poeta e ensaísta, de grande sensibilidade criadora

Poemas de Almir Diniz
Estátua

Um dia te encontrei - virtualmente -
Sob plátanos, cedros e ciprestes,
Eras um bloco pétreo e heras, agrestes,
Intentavam beijar-te... Doidamente.
Mas, tua nudez mística e silente,
Sem pátina ou urzes - máculas silvestres -
Entre musgos, na alfombra, estavas prestes
A compor ritual irreverente...
O cinzel que moldou os teus ondeios,
Que te burilou o ventre, o pube, os seios
E que te fez do mármore cativa...
Ele foi muito além do imaginado
Criando no teu corpo inanimado
Um fulcro de prazer - de mulher viva!

Chamariz

Essa faixa de pele nua, exposta
Aos olhares vorazes da plateia,
Parece um chamariz, uma proposta
Envolta na malícia de Frinéia.
Lânguida, exuberante e predisposta
- ímã de colibri, se é catileia...
A da faixa sugere uma resposta
Ao seu apelo, incomum numa plebeia.
O sorriso faísca na bateia
Como a gema saída do filão
Brônzeo e vivo, lembrando uma epopeia
De feitos em garimpos sensuais
Afeitos ao querer da sedução
Em magníficos templos saturnais!

Revelação

Meninice indo, puberdade vindo,
- desencanto querendo identidade -
Aquela, nem sabia, na verdade,
O que deixava, se o fazia rindo!
Levava livre o coração se abrindo,
Ainda envolto em mansa castidade,
Nada entendia, na realidade,
De amor, de dor... Por isso ia sorrindo.
A outra, ávida, queria conhecer
As regras para amar e não sofrer
E saber em que a dor do amor consiste.
Soube-o e a revelação nem chegou tarde
Enodoando-lhe a felicidade
Que esta pura, sem arranhões, não existe!

Instantâneo

Teus olhos são amêndoas de luz
Engastados em cárneo e belo escrínio
Da maciez e mística do armínio
Para divinizar ondas azuis.
Os teus lábios, assim como os compus,
Lampejando sorrisos, com carinho,
Escondem teclas raras em cauto ninho
De sonhos, que a memória reproduz.
Teus cabelos desmaiados, claros,
São nuvens fartas, com perfumes raros,
Enleados em tramas de desejos.
Teus ombros têm magia de clarões,
São fontes de energia e de tensões.
Vulcões vorazes, tardos dos meus beijos!

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