Arte Cearense

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00:00 · 25.01.2015

Pintura de Leonilson

Sem Título

José Leonilson Bezerra Dias ou, simplesmente, Leonilson, nasceu em Fortaleza, em 1de março de 1957, tendo falecido em São Paulo, aos 28 de maio de 1993. Dedicou-se, com a mesma intensidade, à pintura, ao desenho e à escultura, sempre em busca do novo

 

Poemas de Virgílio Maia

II Congresso dos Ventos

Sopram: Mistral, Benzeiro e Harmatã,

Rei alado da Costa da Guiné;

Barinez no Orenoco põe-se em pé

E Garbino na praia catalã.

Quente Simum dardeja a pura fé

Nos muçulmanos mantos da manhã.

Subandino Pampeiro em brisa irmã

Ao Minuano sola um oboé.

Pelo Índico, as históricas Monções.

No Nilo azul, Cansim canta as canções

Da Esfinge indecifrável que sorri.

Alísios sonham naus, pelo Equador.

Terno Terral, eólico motor,

Enfuna a voz geral do Aracati.

Padaria Espiritual

Vinte e Cinco de Março, 1007:

Corre tranquila a brahma no balcão,

É quase meia-noite e um violão

Em batidos acordes se repete.

Esta velha bodega tem caminhos,

Ecos da noite desta Fortaleza;

E se da madrugada faz-se presa,

Não se contém a cana dos burrinhos.

Bar afamado, não lhe sei rival,

Onde se encontra, todo santo dia,

A fina flor da vasta boemia,

Recebendo contrita e mui louçã,

À batuta de Monsieur Vincent,

A comunhão do pão espiritual.

Revoada

Vai bando solitário e derradeiro,

No entardecer das aves que se vão;

Restos de cores que, sem paradeiro,

Num espanto se alçam e não retornam.

Sobre rude concreto elas procuram

Silêncio onde pousar seu desespero;

Algum lugar seguro buscam, em vão,

Para fugir às telas dos viveiros.

Mas deixando a cidade sem cantares,

Velozes vão, em bandos ou aos pares,

A remoto recanto, em largo exílio.

Ficam pardais, sem cores e sem canto,

E, dos canoros pássaros, o só pranto

Deste soneto que lhes fiz. Virgílio.

Marc Chagall

Um rabino improvável, voador,

Verdes barbas exibe pelo céu,

Enquanto branca noiva em esplendor

Acende beijos de uvas e de mel.

Montava em cada tela um carrossel

Que rodopia ainda a toda cor,

Onde ri, disfarçado de Pierrot,

Gnomo inverossímil solto ao léu.

Com certeza criou por linhas tortas,

Em resgate daquelas almas mortas,

Sacadas de fantástica cidade

Por ele, que acenando em despedida,

Já sobraçando décadas de vida,

Foi só criança de uma certa idade.

Sobre o autor

Virgílio Maia é membro da Academia Cearense de Letras. Dedica-se também à crônica e ao ensaio

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