Arte Cearense

Arte Cearense

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00:00 · 23.11.2014

Pintura de Francisco Vidal Jr.

Sem Título

O artista plástico Francisco Vidal Júnior é natural da cidade de Fortaleza, nascido em1954. Dedica-se, sempre com singularidades e grande força criativa, além da pintura, ao desenho e à escultura. Há, em sua composições, certa nostalgia de um passado mágico e mítico

Sobre o autor

Virgílio Maia é membro da Academia Cearense de Letras. Dedica-se também à crônica e ao conto

Poema de Virgílio Maia

Aghmet

Ó palmeira da Porta das Palmeiras:

À tua sombra verde, no melhor das miragens,

Infinitamente repousa e se guarida,

Se guarda do silêncio do simum,

Aquele dos gazéis insuperados.

A ele, ó palmeira do Islã, é que dedico, ofereço nas preces e nas manhãs consagro

Uma alegre e brilhante fantasia,

Toda tinindo em glória, coragem, pó e jaezes

Ajoujados num mesmo cavalgar:prodígios de tropéis, cascos cavando, céleres, o luar ondulado

De Lachm, na mais rubra das terras do Iêmen.

Eu, a quem outrora chamaram de Az-Zafir,

Perlongo os meus ouvidos

Só para ouvir de novo as tuas palmas,

A multidão de leques e esperanças

Drapejando despedidas em acenos de oásis;

Apelos de pazes na encenação de bodas, vinho

E vestes, os caprichosos véus empandeirados,

No palácio de Al-Mubarak.

Movimento outra vez, só pensamento,

Num tabuleiro de imaginação,

As peças das partidas de xadrez, alegre alegoria

Da decisão da sorte das batalhas.

Mais uma vez sopeso, à minha mão,

O tilintar da aurora: cobiçáveis moedas,

A mais dourada lembrança,

Que estendi, generoso, a pobre cego;

Ele sim, cavaleiro da rima e das palavras,

A mim me dera estrofe de louvor.

E talvez, mais que à vida, eu queira é ver,

Por derradeira vez que seja, átimo de olhar,

O belo campeão de altanaria,

Riscando, seta, o vaso azul do Algarves;

O gavião cinzento das caçadas,

De tão atrozes garras de rapina,

Mas de suaves penas pelo peito.

Itimad: nome amado que trago diluído,

Armado pelas letras do meu nome,

No nome que ora porto e no meu sangue.

Itimad: cintura de anagrama

Que mais redonda e fina se fazia ao contraste das ancas. Outros nomes relembro:

Shir, a morena de meu encantamento

E suas dunas de jambo;

As pérolas no colo de Jauhura,

Frutos inconhos, abóbadas de Sevilha;

A voz de mel e os toques de alaúde

Dos dons e do donaire de Uraywa.

Palácio dos Balcões e o rio Arade,

Meus lugares de Silves, ó minha infância.

Tudo, tudo relembro:

As espadas em Ronda,

O ferro sobre o ferro à luz crescente,

As lanças em Córdoba,

Os laranjais trazidos do Oriente,

As flores perfumando, quais jasmins,

Os decotados da Serra Morena.

Isbilyya, o combate mais duro e a doce luta,

As armas e as mulheres que cantei:

Se destas sempre fui e sou cativo,

A certeza nas outras me fez Rei.

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