Arte Cearense

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00:00 · 19.10.2014

Pintura de Félix

Sem Título

O artista plástico Tarcísio Félix, ou simplesmente Félix, comporta como singularidade de sua produção pictórica a presença de um forte lirismo, uma vez que, ao recuperar paisagens distantes no tempo, devolve ao presente sentimentos e sensações que habitam a memória

 

Poemas de Júlio Maciel

A Árvore Apedrejada

Essa árvore da estrada, aos céus a fronde opima,

As raízes ao chão, na labuta sagrada,

Tem sempre a fronde oferta a quem se lhe aproxima

E a seu tempo dá flor - pesar de apedrejada

Sonhador pertinaz, veterano da Rima,

Que exemplo, para ti, nessa árvore da estrada!

- Se o teu Sonho te escuda o e teu Estro te anima,

O insulto é inofensivo e é perdida a pedrada.

A árvore-símbolo eu lhe rendo o meu tributo,

E me conforto quando, em meio à audaz peleja

Travada em prol do Sonho, os apodos escuto.

Amo a árvore fecunda, a mater benfazeja,

Que continua dando a sombra, a flor e o fruto,

Indiferente à mão que os galhos lhe apedreja ...

Jacarecanga

Rebelde e forte, aqui, outrora se implantava

A taba indiana - aqui, onde a alma lua cheia,

Pródiga, a derramar em cachões a luz flava,

- Agora a estes casais a fachada clareia.

Quanta vez trom de inúbia, entrechocar de clava

Não vibrou pelo azul que sobre mim se arqueia!

Praia! o tropel da tribo em correria brava

Quanta vez não sentiste a sacudir-te a areia!

E embora tu, Passado, a lenda antiga escondas,

Eu sei que o amor também floriu aqui: - no treno

Da aragem, no marulho eloquente das ondas, -

Parece-me inda escuto, em meio à noite clara,

- O selvagem rumor dos beijos de Moreno

E as falas de paixão da meiga Tabajara!

Soneto verde

Há uma ressurreição no Sertão rudo.

Uma ressurreição! - Verde e risonho

É o vale, verde a serra, é verde tudo

Em que os meus olhos, deslumbrado, ponho.

Bruto alcantil de aspecto mau, desnudo

Esvão de terra, ríspido e tristonho,

-Agora, tem branduras de veludo,

Verdes agora os vejo, como em sonho!

Em cisma, a sós, contemplo ·verde liana,

Verde, tão verde, com carícia humana

As ruínas afagando a uma tapera.

E, na contemplação que me não cansa,

Sinto quão doce és tu, cor da Esperança

- Até nos olhos de quem nada espera ...

Os Grous

Por sobre a serra e o vale, a tribo aventureira

Dos grous em fuga passa a pleno firmamento,

- Libérrima e veloz, em compacta fileira,

Alto, a pompear ao sol o plumacho opulento.

Súbito, o vale e a serra atroa arma traiçoeira,

E, qual se a elas movera humano entendimento,

Eis as aves sustém infeliz companheira,

Que no ar rodou, fechado o remígio sangrento!

E enquanto um caçador, a carabina em pouso,

Faiscantes, presos no ar, os olhos como brasas,

A sua opima caça, abaixo, aguarda, ansioso,

Alto, a pompear ao sol, lá vão os grous em bando,

Irmanados lá vão! nas protetoras asas,

Espaço acima - o grou moribundo levando!

Sobre o Autor

Nascido em Baturité. No livro "Poemas Reunidos", de 1986, encontram-se todos os seus poemas reunidos

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