Arte Cearense

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00:00 · 05.10.2014

Pintura de Descartes Gadelha

Sem Título

O Artista plástico Descartes Gadelha nasceu na cidade de Fortaleza, aos 18 de junho de 1943. Dedica-se, além da pintura, ao desenho e à escultura.

Sobre o autor

Foi jornalista e escritor. Autor de "Poemas dos belos dias". Príncipe dos poetas cearenses.

Poemas de Cruz Filho

O Pesadelo do Kaiser

Noite. Um divino luar doura os cimos brumosos.

Silêncio . . . O acampamento, em plena paz, descansa.

Param por sobre a Terra augúrios misteriosos .. .

Longe, troam canhões nas fronteiras da França.

Em sonho, a acompanhar os pelotões gloriosos

Do exército imperial, que na Curlândia avança,

O Kaiser queda a ouvir os clarins vitoriosos

E unge-lhe o fero cenho um clarão de esperança ...

O exército fatal vai devastando a Terra,

Que, atônita, a seus pés, treme ao fragor da guerra .. .

Mas o Tude teu tão soluça, e ruge, e sofre . ..

É que ele vê do luar à luz dourada e estranha,

Num sopro de extermínio, invadindo a Alemanha,

As massas colossais dos esquadrões de Joffre ...

Leda e o cisne

A orla do lago azul, no recesso selvagem

Do bosque, onde mal se ouve indeciso marulho,

Leda agora surgiu dentre a crespa folhagem,

Na florida nudez que é de Tíndaro o orgulho.

Convida a solidão a um moroso mergulho

Na onda que ao sol se irisa e reflete a paisagem:

E a princesa pagã, num voluptuoso arrulho,

Deita-se a meio na água, às carícias da aragem ...

Mas eis que nada o Cisne, através dos caniços,

E logo, vendo-a ali, se aproxima e a corteja,

Projetando, em redor, seduções e feitiços.

Depois, alçando o colo entre flamas e brasas,

Sobe-lhe o oblongo ventre e, enquanto a amima e beija, Freme o bosque a um rumor de suspiros e de asas . ..

Ciclogênese

Quem sou? - Atamo eterno e indestrutível

Da protéica Matéria soberana,

Detido aqui, sob a figura humana,

- Simbólica expressão do Inexpressível.

De onde vim? - Do Absoluto incognoscível,

De que a forma ontológica promana

Pela imanência da Energia a1·cana

Que a conduziu da animidade ao nível.

Parei agora, na ascensão superna,

Para te amar, bela mulher lasciva,

Com quem cheguei ao vértice do Ser.

E aonde vou eu, com esta fadiga eterna?

-Refluir à nebulosa primitiva

E com a Terra voltar, para sofrer.

A ilusão do sapo

Aos pinchas, pela noite, hesitante e moroso,

O batráquio surdiu do grande charco à borda,

E quedou-se, a cismar, como quem se recorda

De algo que se esvaiu num passado brumoso ...

Ao fundo, onde do céu, que de nuvens se borda,

Reflexa a imagem vê - pelo céu bonançoso,

Vê da lua pairar o esferóide radioso,

E o repulsivo ser de júbilo transborda ...

Quedou-se, acaso, ali, todo perplexo. Ao centro,

A tentá-lo, a ilusão do orbe lunar flutua,

E ei-lo, que apresta o pulo e se arroja lá dentro!

E a água logo ondulou, entre chispas cambiantes,

Num naufrágio de luz, em que apetece a lua,

Dissolvida em cristais, topázios e diamantes ...

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