Arte Cearense

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00:00 · 31.08.2014

Pintura de Cláudio César

Sem Título
O artista plástico Cláudio César é natural da cidade do Rio de Janeiro, mas adotou a cidade de Fortaleza como sua terra definitiva. Formado em Direito, trocou a advocacia pela pintura, cuja marca fundamental é a busca de novos caminhos, numa pluralidade de temas e de formas

Poemas de Virgílio Maia

Soneto 12

Que mais dizer do vinho se Khayyám
à vida erguendo um brinde numa exata
estrofe carregada de manhãs
vinho e mulher louvou nos Rubaiyat?
Dizer assim: no vinho se desata
a alegoria leda de seguir
por mor de amor batel e serenata
na embriaguês do líquido rubi.
Dizer também talvez do alumbramento,
pauta de sol sonora sobre o chão,
que ontem foi uva e álcool que será.
Lembrar, louvar a mágica poção
transubstanciada de momento,
faz mais de dois mil anos, em Caná.

Soneto 16

Cessada a chuva a jitirana em festa
doideja cores pelo Potengi,
nos caminhos de sempre onde sorri
nesse tom sobre tom do violeta.
Depois, acolá assim, as catingueiras
são moedeiros dos dobrões mais puros
expostos à cobiça e demais usos
do esvoaçante mundo das abelhas.
Arquitextura vegetal se exibe:
cerca de arame faz muralha verde
salpicada do roxo da Quaresma.
Eis na latada um beija-flor a pique
é furta-cor exclamação que pede
o sufragante dessa cena acesa.

Soneto 15

Eita canção de vagens e debulhas,
borrifada de ventos de abastança,
quando fecundo e morno à terra nua
o poço entrega as águas conclamadas.
Gira o moinho, o leque nas alturas,
mostrando à tarde de vermelho e calma
os aceiros finais para onde aprumam
retardatárias aves apressadas.
A certeza de grãos lota a cisterna,
sementeira de feno e de novilhas,
transbordando no chão os canais plenos.
E o trio toca e roda e afina a festa
dos flautins do pomar e o suor brilha
no duo das enxadas: braço e eito.

Soneto 17

Jaguares não há mais - é certo e triste -
e na dor dessa ausência existe um brado
que abarca o mundo enquanto do passado
a Natureza exclama, dedo em riste.
Se jaguares não há, não se ouvirão
garras e cores em cruel recado
no breu de abriu esquadrinhando o oitão,
apavorando casarão e gado.
Se jaguares não há, um magro rio
cumpre, só, o comprido desafio
de a si mesmo vencer – assoreado.
Mesmo assim vai sumindo o nobre nome
do Jaguaribe que, minguando, some
qual sumiram jaguares – mutilado.

Sobre o autor
Membro da Academia Cearense de Letras. Dedica-se, também, a pesquisas em cultura popular

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