Arte Cearense

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00:00 · 24.08.2014

Pintura de Côca

Sem Título

Socorro Torquato (Côca)percorre diversos caminhos temáticos em suas pinturas

Poemas de Aluízio Medeiros

Lírica II

Sois por acaso a doce Margarida,

Que o calmo peito meu encheu do bel

Canto do amor, no início desta vida

Minha, quando minh'alma viu o céu?

Sois por acaso Lúcia, a rediviva,

Que da lembrança longe rompeis o véu,

E vindo vagarosa vinde esquiva

Como vínheis antanho e sempre ao léu

Na minha mocidade ardente e tão

Feliz em ter o vosso amor, Senhora?

Em todos vós procuro agora e em vão

O grande amor que no meu peito mora

E nenhuma de vós meu coração

Enche d'amor como estoutra que amo agora.

Lírica X

Arde em mim inflamado e puro amor,

Misto de carne e espírito, sabor

Milenário de fel, sabor de mel,

Que me arranca do inferno pr'alto céu.

Assim vivo no vário sonho ou

Quando acordo nem sei pra onde vou.

Vivo assim entre a lucidez e o véu

Do sonho espesso que me leva ao léu.

Do desvario estranho em só saber

Que em mim arde serena e eterna chama

Que em todos os instantes por ti clama.

Oh, desventura maior não pode haver

(É o que tudo em mim ressoa e exclama)

Em se saber amado por quem se ama.

Lírica VII

Aqui nos encontramos nos amamos

Pela inefável e grande noite o vento

Roçava tua face e eu te beijava. Vendo

Que nós ambos nos amamos e que vamos

Nós ambos pelo tempo lentos, lentos

E anos amar constantemente estamos

O vento passa como um lamento

A nos unir ainda mais. E amamos,

Meu Deus, amamos, como nos amamos.

Por que só agora nós nos encontramos?

Agora, por que somente vendo agora

Tua antiga face amada nos amamos?

Desde os velhos tempos nos amamos

E amar-nos-emos pelo tempo afora.

Lírica XIII

A ti serei fiel por todo o sempre

E quando um dia porventura ausente

(Em nossas vidas isso tu consentes?)

De ti tu me sentires para sempre,

É que busco em mim mesmo o que me lembra

De ti em mim o que há sempre presente;

Busco em mim mesmo o amor sempre crescente

De ti somente, amor, é que me lembro.

Em mim por todo o sempre o que desejo

Com ardorosa calma, como vejo,

Como ontem te vi, vejo-te hoje e sempre

Coberta eternamente por meu beijo

E eternamente juro: não te deixo,

A ti serei fiel por todo o sempre.

Sobre o autor

Aluízio Medeiros é uma das mais expressivas vozes da estética modernista no Ceará

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