Arte Cearense

Arte Cearense

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00:00 · 01.06.2014

Pintura de Hélio Rola

Sem título

O artista plástico Francisco Hélio Rola, ou, simplesmente, Hélio Rola, nasceu no ano de 1936 na cidade de Fortaleza. Desde muito cedo, manifestou intimidade com as expressões do desenho e da pintura, e nesta a marca essencial é o emprego de um universo mítico

 

 

 

Poemas de Artur Eduardo Benevides

Soneto em Recife

Tão leve qual capulho de algodão

Que a brisa da tarde transportasse

Sinto o doce luar de tua face

Sobre o azul dos gestos em canção.

Mesmo distante, vem-me tua mão

Trazendo a flor que agora despertasse

Na manhã de teu sonho, de que nasce

A paz das verdes relvas pelo chão.

Que fazes por aí? Aqui, eu teço

Uma saudade enorme. Não te esqueço.

Se te, esquecesse, já estaria morto.

Muito tempo custou-me a travessia

Até te achar, nas ilhas da Poesia,

Iluminando as noites do meu porto.

Do amor final

Nos dejúrios do amor, quando dizemos

Tudo o que salva a humana condição,

A vida fica em grã levitação,

Mas, quase sempre, tontos, nos perdemos.

Quem não teve do amor a sagração?

Em nosso maisquerer, todos sofremos.

Quantas mágoas e penas recebemos

Ao sentirmos a força da paixão!

E agora vens, ó última esperança!

No fim da tarde, bailo a contradança

Das pavanas gentis de teu olhar.

No pas de deux que une as nossas almas,

Chegas plena de Deus e então me acalmas

E me mostras as ilhas de teu Mar.

Soneto inglês

Esse teu ar de estrela e de mulher,

Esse jeito de flor e de mistério,

Esse lume que tens, imenso, etéreo,

Esse vasto querer que ora me quer;

Esse olhar que me fere mas não mata,

Esse sorrir de brisa matinal,

Essa imagem de verso provençal,

Esse segredo que ninguém desata;

Esse estilo de vida, esse teu dom,

Esse estado de graça e de leveza,

Essa clara verdade, essa beleza,

Esse gesto de amor em sobretom

Fazem-te grande, sendo pequenina,

Dando à mulher encanto de menina.

Num sonho

Em minhas mãos tomo teu rosto agora

E não sei se esse gesto vai ferir-me.

Não sei se fico aqui, pensando em ir-me,

Ou se a teus pés sucumba sem demora.

Tenho medo de amar! Vou demitir-me

Desse ofício de sonhos. Vou-me embora.

Mas, o Amor me chama e nele ancora

O meu jeito de ser e de exprimir-me.

Tomo teu rosto, então, por um minuto.

Um grande amor, do eterno claro fruto,

Envolve-me de todo e com loucura.

Entregue fico então ao meu desejo

E ficas em meus braços e te beijo

E morres de prazer e de ventura.

Sobre o autor

Dono de uma vasta obra, é uma das vozes mais altas da poesia contemporânea na literatura brasileira

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