Matéria-1314940

Arte Cearense

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00:35 · 07.09.2013
Pintura de Aldemir Martins

Sem Título

Aldemir Martins nasceu na cidade de Aurora, aos 8 de novembro de 1922, tendo falecido em São Paulo, aos 5 de fevereiro de 2006; artista plástico , ilustrador, pintor e escultor autodidata, de grande renome e fama no país e exterior. Foi o primeiro brasileiro a ganhar um prêmio na Bienal de Veneza.

Poemas de Magno Martins

Guitarra invisível

Sons secos
Cordas vibrantes
Frequência distorcida
Camisa preta
Sangue acelerado
Rock and roll branco
Vazio substancial
Nova formatação
Amor racional
Metal romântico
Palco circular
Grupo acorrentado
Elos fortes
Turnê libertária
Cordas afinadas
Pedal ligado
Cabeça funciona
Voou longe
Chegou aqui
Agora partiu / Guitarra invisível / Concentração real / Louvor emotivo / Canto vivo.

Chuva

Não que as chuvas voltaram
A respingar o cinza das nuvens
Na minha alma torta.

Que no balanço das estrelas
Mergulhar no abismo
Cheio de opacos.

Que quando me vi sozinho
Abandonado pelas musas
Em dança de despedida.

Senti a roupa encharcada
Com o mel dos prazeres ilusórios
Chamando insetos ao meu jardim.

Aguardo os luminares
Renta a casa dos sonhos.

Cangaço

Orgulho nordestino
Pulso forte
Sertão espiritual
Mandacaru regional
Valente vaqueiro
Lampião incendiário
Brasil desbravado
Couro surrado
Cavalo companheiro
Água sagrada
Mulher amada
Filho respeitado
Espingarda ensanguentada
Faca amolada
Carne seca
Alimento natural
Vegetação espinhosa
Chão rachado
Velas acesas
Alma sobe
Paz rasteira
Carcará voa
Lagarto observa
Jesus guarda.

Transparência

Ansiedade rasgada
Tempo infindável
Prisão perpétua
Nó cego
Porta fechada
Lábios rachados
Fome compulsiva
Excitação carnal
Trabalho noturno
Esporte anestésico
Livro devorado
Oração invocada
Planos refeitos
Relógio consultado
Dinheiro contado
Musa solta
Caneta gasta
Olhos abertos
Lençol embolado
Sono atrasado
Medo paralisante
Sol escaldante.

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