Matéria-1309347

Arte Cearense

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00:54 · 24.08.2013
Pintura de Leonilson

Sem Título

José Leonilson Bezerra Dias - o artista plástico Leonilson - nasceu em Fortaleza, a 1º de março de 1957, tendo falecido em São Paulo aos 28 de maio de 1993. Dedicou-se à pintura, ao desenho e à escultura. Em 1961 mudou-se com a família para São Paulo. Entre 1977 e 1980 cursou Educação Artística na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP)

Poemas de Almir Gomes de Castro

Resistência


Seresteiro no embalo reluzente
Como um lápis escreve sua glória
Risca no relampeio do mar quente
Sonho que se perde na história.

Um louco coração teima em pulsar
Transformou-me de poeta em trovador
Retomei minha vida num cantar
Onde a coragem é hino ao amor.

Bati o coração como um pandeiro
Atropelando a morte em seu enredo,
Todo sangue jorrou perante o medo

Refez como destino traiçoeiro
A vida ressurgiu tão retumbante
Jogando a solidão pra bem distante.

Liberdade

O gola recitou seu puro sono
Limpou as suas penas na razão
Olhou a ração farta do seu dono
Alegrava na voz sua canção.

O alpiste estalava em devaneios
Revia a sinfonia que cantava.
Seu criador previa seus gorjeios
Renegava a saúde que restava.

O golinha cantou bem diferente
Acordou triste ao ver em sua frente
Que não roncava mais o seu algoz.

O mundo ouvia apenas sua voz
Na ladainha ofuscada paciente,
A liberdade abriu-se de repente.

Último Ato

Trancou o riso o circo do palhaço
Viu todo o picadeiro chorar mágoa
Destrói a lona o fogo em estilhaço
Todo sonho acabou na falta d´água.

O sol entrava, fresta incandescente
Rogava a Deus a louca deslumbrante
Olhando pro leão faminto ardente
Engole fogo a cria de elefante.

O fogo sacudiu a alma da gente
Nada restou da vida bem contente
O fiasco da dor assombrou riso

O palhaço fez rir do triste ato
Achou que reviver era consigo,
Saindo pela lona do ultimato.

Elo

Recolhi nas estrelas o meu pranto
Cantei uma canção inexistente
Chorei todas as lágrimas do manto
Deixei pela razão do amor presente.

Na redundante lida passageira,
Recolher dores torna-se vazio
Sofrer na longa vida de canseira
A violência acende o desafio

Torce seu rabo como porco encalhado
Vai engolir o sapo e todo amor
Fecha os olhos do sonho amargurado

Levando nessa vida todo andor
Acordando do sono no duelo,
Vivendo um pesadelo paralelo.

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