Matéria-1302338

Arte Cearense

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00:40 · 10.08.2013
Pintura de Leonilson

Sem Título

José Leonilson Bezerra Dias - o artista plástico Leonilson - nasceu em Fortaleza, a 1º de março de 1957, tendo falecido em São Paulo aos 28 de maio de 1993. Dedicou-se à pintura, ao desenho e à escultura. Em 1961 mudou-se com a família para São Paulo. Entre 1977 e 1980 cursou Educação Artística na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP)

Poemas de Caetano Ximenes Aragão

Elegia para um menino morto

e eu menino de meto me matava
nas tardes de matança dos meus touros
brilhos de facas eriçavam pelos
eram rasgos de sangue no meu corpo

me matava de medo quando as noites
prenhas de assombrações e lobisomens
se encantavam nos cantos das paredes
e os galos me salvavam com seus cantos

eram de sortilégio as madrugadas
meu sono em sobressalto se sonhava
longe da escuridão com seus fantasmas

quando a manhã em mim se fez infância
o olhar de minha mãe apascentava
o medo do menino que dormia

II

por que morrer assim antes do quando
maturescente somos desenganos
o menino que vi morrer em mim
viveu mais de saudades que de infância

o seu rosto em azul me viu formando
nestas nuvens guardadas pelas tardes
para o verão das noites com seus anjos
trágicos e de lua assassinada

existe um corpo em sangue mergulhado
nos olhos trespassados pela faca
dos gestos do menino em sua pobreza

perdido em solidão me navegando
por rios sepultados pela aurora
vivo só de saudades do menino

III

onde andará o menino que de antigo
pouco lhe ensinaram o que sabia
se todas as verdades que não foram
o fizeram mais livre para o evento

onde andará o menino que de antigo
pouco lhe ensinaram o que sabia
se todas as verdades que não foram
o fizeram mais livre para o evento

se os ritmos das marés nunca mudaram
se os ventos de invisíveis são sentidos
se os rios se debatem contra as margens

que foi feito do meu menino antigo
habitante de mim pastor de mim
o que um dia perdi sem ter sabido

IV

perdido estou de todos os caminhos
que se abriram ao meu primeiro passo
nas sete encruzilhadas dos assombros
me vi chegar com todos os cansaços

de sangue se tingiram minhas faces
minhas vestes de algodão foram molhadas
quando sete punhais ensanguentados
sete vezes sete homens se mataram

quando o sineiro Abraão tocou a morte
em toques repetidos de finados
já a noite rasgara as suas mortalhas

para o enterro dos mortos degolados
e eu menino me via amortalhado
entre os sete punhais da encruzilhada

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