Matéria-1293873

Arte Cearense

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00:49 · 20.07.2013
Pintura de Antonio Bandeira

Sem Título

Antônio Bandeira nasceu na cidade de Fortaleza, aos 26 de maio de 1922, tendo falecido em Paris, aos 6 de outubro de 1967. Dedicou-se, com afinco, à pintura e ao de desenho, sendo virtuoso nesses dois caminhos da criação. Alcançou o ápice de sua expressão artística na pintura abstrata

Poemas de Eduardo Pragmácio Filho

Alpendres

no balanço de uma cadeira
velha
no embalo de um sentido
novo
sereno revela a noite:
vaga-lumes ponteando
o céu
distraindo canções
de véu
alumiando o lembrete
risonho
alpendres, palavras, sonhos

Jangadeiros

Um caderno
afundando
no mar

as letras
banhadas no sal

a palavra
naufraga
em sentido

bebe
dor e libido

encalha
no poema
não escrito

Estranheza

É tão veloz
o tempo
hoje
pouco invento
horas vagas

Poema sobre o nada

Eu busco a textura do tempo
Para conter o pranto
Maldizer as esperas tardias
E dormir sonhando.

Eu canto o encanto
Manto intocável
Branca promessa
Do leito do teu dorso.

O poema sobre o nada
é tudo aqui fora
Inquieta os mistérios
Da tua pele.

O poeta ao teu lado
Canta as dores das dores
Morre todas as mortes
Do momento.

O poeta ao teu lado
Revela metáforas sopradas
Pinta as esquinas dobradas
Com o batom do teu seio.

A noite então
Depois de muita oração
Contempla teus olhos
(Meus)

oração ao vento

As noites iludem
um pouco de flores na sacada
cantares embriagados
ou simplesmente
olho.
São côdeas de um corpo
liricamente coberto
por uma ilusão mansa.
Os poetas mergulham no asfalto
como se fosse um mar
navegam em suas jangadas aladas
orando ao vento
para embalar os sonhos
e desalentos.

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